A Secretaria de Assuntos Estratégicos ? SAE da Presidência da República anunciou no mês de dezembro de 2012, que em março próximo irá propor uma série de medidas para elevar a entrada de mão de obra estrangeira no Brasil.



Entre as propostas em estudo na Secretaria está o fim da exigência de contrato de trabalho para conceder visto aos profissionais altamente qualificados. Por exemplo: um estrangeiro com doutorado em Harvard poderia emigrar para o Brasil sem nenhum contrato de trabalho e prospectar empregos, sem dificuldades. ?Hoje, o visto de trabalho só é concedido quando o profissional já está contratado por alguma empresa?, informa o presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais ? CNPL, Carlos Alberto Schmitt de Azevedo.



Outra proposta da SAE é permitir que estudantes de faculdades conceituadas do exterior façam estágio de férias nas empresas brasileiras. Segundo dados do Conselho Nacional de Imigração, órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego ? MTE, do período de janeiro a setembro de 2012, as autorizações de trabalho dadas aos estrangeiros que possuem qualificação aumentaram 42%.



Na opinião do presidente da CNPL, Carlos Alberto Schmitt de Azevedo, ao invés de contratar estrangeiros qualificados de outros países, o governo brasileiro deveria se preocupar com a qualificação da mão de obra local. ?Qualquer país que pretende garantir sua soberania rejeita a invasão de mão de obra estrangeira e investe em seus próprios profissionais. Por exemplo: durante 20 anos, a Coréia do Sul investiu 10% do PIB em educação e qualificação profissional, e hoje é um dos principais países, tanto no aspecto educacional, quanto no desenvolvimento social e econômico?, relata Carlos Alberto.



Para Carlos Alberto, é muito temeroso abrir as portas do País à mão de obra estrangeira, subestimando a capacidade e desenvolvimento técnico dos profissionais brasileiros. ?Além de subtrair oportunidades de trabalho, essa medida não agregará nenhum conhecimento aos brasileiros, visto que os estrangeiros virão com sua formação concluída, e não repassarão seus aprendizados aos profissionais daqui?, comenta.



?O que garantirá a real formação e o pleno desenvolvimento dos profissionais brasileiros, capacitando-os para ocuparem as vagas existentes no mercado, é o investimento em qualificação profissional, dando possibilidades de acesso às escolas, sejam elas de segundo grau ou superiores, e o investimento na qualidade do ensino?, reforça o presidente da CNPL, enfatizando que a Entidade acompanhará de perto o desenrolar desse projeto e, como é de seu dever, defenderá o mercado de trabalho dos profissionais liberais brasileiros.



Sobre a CNPL



A Confederação Nacional das Profissões Liberais ? CNPL conta com uma estrutura sindical que abrange 28 federações filiadas, mais de 600 sindicatos representantes de 51 profissões e de cerca de 15 milhões de profissionais em todo o País.