O operário MÁRCIO SOUZA DE JESUS, 47 anos, morreu na tarde de ontem (24 de janeiro) após sofrer queda no fosso de um elevador em uma obra tocada pela Construtora Engepam Engenharia, na Alameda das Acácias, próximo do Clube Sírio Libanês, região da Pampulha. Marcio trabalhava no 12º andar da obra, o fosso do elevador não tinha o fechamento do vão de acordo com a exigência da portaria NR-18 e ele sofreu a queda de uma altura aproximada a 38 metros.
É a primeira morte divulgada de um operário em um canteiro de obra de Belo Horizonte no ano de 2013. Márcio era funcionário da Construtora Engepam Engenharia que igual a maioria das construtoras não garante as devidas medidas coletivas e individuais de proteção aos operários, além de exigir a execução dos serviços de forma acelerada.

Esse foi o terceiro acidente ocorrido nesse mesmo dia nos canteiros de obras de Belo Horizonte, e sempre o que chega a ser divulgado fica muito aquém da realidade. No outro caso, o operário JOSÉ LIANDRO DE ARAÚJO,, de 52 anos, ficou ferido após também cair em um fosso de elevador, que também estava sem a devida proteção, quando trabalhava em uma obra da construtora Oliveira Fortes na Rua Wady José Alau, no bairro Ouro Preto. Com fratura na perna direita, ele foi levado para o Hospital de Pronto-Socorro Risoleta Neves, em Venda Nova.

Outros operários dessa obra da construtora Oliveira Fortes também correm graves riscos de acidente. Na execução de serviços de pintura na parte externa do prédio, trabalhadores se movimentam em andaimes precários que balançam perigosamente e frágeis balacins, seguros apenas por cordas inadequadas e sem o necessário cabo-guia para fixação dos cintos de segurança.

Também na manhã desta quinta-feira, o jovem operário ARON JUNIOR DO CARMO, 20 anos, passou mal enquanto operava o guindaste em uma obra no Bairro Betânia, na Região Oeste de BH. Um outro trabalhador tentou auxiliá-lo na descida da grua, mas não teve sucesso e precisou acionar os Bombeiros. A irresponsabilidade das construtoras não tem limites, colocam jovens para realizar funções perigosas e para as quais não receberam o devido treinamento.

O companheiro Márcio Souza, José Leandro e Aron do Carmo são mais vítimas da matança e massacre de trabalhadores nos canteiros de obras de BH provocada pela ganância patronal, cumplicidade do governo, descaso com a vida dos operários e o descumprimento das leis trabalhistas e de segurança do trabalho por parte das construtoras e conluio e falta de fiscalização do governo. No ano passado foram registradas 35 mortes de operários nos canteiros de obras de BH e Região, mas esses números oficiais estão muito abaixo da absurda mortandade de trabalhadores disfarçada de ?acidentes de trabalho?. O número oficial de mortes já é um absurdo, mas a gritante e revoltante realidade é que acontecem muito mais mutilações e mortes nos canteiros de obras, pois trabalhadores mortalmente feridos são removidos dos locais de trabalho e depois outras causas são atribuídas às suas mortes; além dos casos de trabalhadores mortos por exaustão causada pelo excesso de trabalho, por doenças profissionais, etc, que não são divulgadas.

Nesse ano já foram registradas diversas mortes de trabalhadores em diferentes regiões do país, entre elas estão a de um operário de uma obra da copa da FIFA, dia 23, que sofreu fulminante descarga elétrica na obra do Estádio do Grêmio, em Porto Alegre. O operário ARACI DA SILVA BERNARDES trabalhava em uma empresa terceirizada, a Epplan Construtora. As condições de trabalho nessas decantadas obras da FIFA são precaríssimas, o serviço é todo terceirizado e esta é a terceira morte envolvendo a obra. O primeiro caso foi um operário atropelado na BR-290, quando se dirigia ao alojamento. O segundo foi outro profissional que trabalhava no entorno do estádio, assassinado a tiros.

Em Salvador, no dia 16 de janeiro, o operário ANDERSON OLIVEIRA DE JESUS, 24 anos, ajudante, morreu após ficar soterrado por mais de uma hora com o desabamento de uma parede quando executava serviços de escavação no canteiro de obras do Residencial Toulon, na Rua Almeida Garret, em obra tocada pela empresa Luna DV Empreendimentos. Outros cinco operários também trabalhavam na escavação. O operário, NILTON RAMOS DOS SANTOS, 36 anos, ajudante, sofreu graves fraturas na perna, os outros quatro trabalhadores conseguiram sair, sem ferimentos.

Depois do acidente é que apareceram funcionários da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) e embargaram a obra. O local do acidente mostrava um cenário devastador e o desabamento ocorreu por sobrecarga de peso, pois havia mais de 100 sacos de cimento sobre o local, e desceram junto com o desmoronamento, arrastando a terra e algumas colunas.
Também em Salvador, no dia 10, ocorreu outro acidente fatal no canteiro de obras do condomínio Celebrate Garibaldi, na Avenida Garibaldi. O operário SILVANO DOS SANTOS, 41 anos, ajudante de carpinteiro, contratado pela empreiteira Monfort, terceirizada da empresa MV, sofreu queda no fosso do elevador, caindo em cima da ferragem e morreu com o corpo perfurado pelos vergalhões.

No município de Castanhal, nordeste do Estado do Pará, o OPERÁRIO RAIMUNDO FERREIRA PEREIRA, 42 anos, morreu ao sofrer queda do 14º andar de um prédio em construção. Ele exercia a função de carpinteiro, caiu sobre a portaria do prédio e outro operário também ficou ferido. O prédio também não tinha as plataformas de proteção e fechamento adequado de vãos como determina a NR-18.

Como acontece em vários outras obras o madeirame utilizado na construção do prédio é inadequado, já muito usado e apodrecido. Segundo informaram seus colegas de trabalho, a queda de Raimundo foi provocada pela quebra de uma das tábuas do andaime, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse de uma altura de cerca de 30 metros. Já a outra vítima, o porteiro TIAGO, contou que deu pra ver quase nada, nem o corpo do companheiro morto, porque, assim que foi atingido nas costas, caiu e desmaiou. Raimundo deixa viúva e três filhos

Em Goiânia, o operário FLÁVIO SOARES DA COSTA, 37 anos, também sofreu queda no dia 3 de janeiro, de uma altura de 36 metros. Ele trabalhava em um prédio em construção no Alto da Glória II, região sul de Goiânia. Segundo um colega de trabalho, Flávio fazia o acabamento de gesso na parte externa do edifício quando um dos cabos de aço que sustentam o andaime rompeu. Ao cair, o gesseiro se chocou contra um muro antes de tocar o solo. Flávio era contratado como mão de obra subempreitada e não recebeu o equipamento de proteção necessário. O gesseiro deixa viúva e dois filhos, um de quatro anos e outro de dois anos de idade.

No dia 16 de janeiro, um operário morreu em um canteiro de obras na região central de Teresina. WALLYSON DA SILVA BRITO, 20 anos, auxiliar de carpinteiro, caiu do 9º andar de um edifício em construção, quando estava fazendo uma estrutura de madeira para concretar uma coluna de um prédio em construção.

A obra não tinha as plataformas de proteção de 3 em 3 andares, fechamento adequado de vãos, nem fornecia os equipamentos individuais de proteção e treinamento, segundo informaram Alguns colegas de trabalho do operário vítimado. disseram que o operário não estaria usando o cinto de segurança no momento do acidente.

?Foi mais um trabalhador que perdeu a vida por irresponsabilidade da empresa. E agora? Um pai de família morreu . Quem vai sustentar a esposa e o filho dele? Por isso o sindicato vai entrar com um pedido de indenização contra essa construtora?, disse Raimundo Ibiapina, Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Teresina.