A MRV está de novo na lista do trabalho escravo, onde são relacionadas pessoas físicas e jurídicas que mantêm trabalhadores em condições análogas à de escravos, e faz gestões para retirar o seu nome do cadastro.

Mesmo com a divulgação pública do envolvimento da MRV com trabalho análogo a de escravo, a Caixa Econômica Federal informou que os contratos já firmados serão mantidos, ?apenas suspendeu a recepção e contratação de novos financiamentos para a produção de empreendimentos da incorporadora MRV?. ?Os empreendimentos já contratados terão seu curso normal, tanto no que diz respeito à liberação das parcelas, quanto ao financiamento para os adquirentes das unidades habitacionais?, diz descaradamente uma nota da instituição.

O Banco do Brasil também se pronunciou, em nota, sobre o assunto, mas não preferiu deixar na surdina a continuidade das transações e novos contratos de financiamento com a construtora, alegando sigilo bancário e comercial.

Da outra vez, bastou uma visita de Rubens Menin, dono da MRV, ao ministro do Trabalho, Brizola Neto, e as pressões contra a chefe da fiscalização que havia incluído a construtora na lista, Vera Lúcia Albuquerque aumentaram e culminaram com sua demissão.

O Ministério do Trabalho está cada vez mais sucateado, o número de fiscais é cada vez mais reduzido e não são garantidas as mínimas condições de trabalho. Não é do interesse do governo atingir as grandes construtoras e empreiteiras, suas maiores financiadoras das campanhas eleitorais.

Nas obras do programa ?Minha Casa, Minha Vida? e do PAC são onde predominam as condições de trabalho mais precarizadas, a terceirização corre solta e os operários são duramente reprimidos, até mesmo por tropas da Força Nacional acionadas pelo governo Federal, como são os casos das obras das usinas de Jirau e Belo Monte. Em vários outros canteiros do ?Minha Casa, Minha Dívida? foram resgatados trabalhadores em condições análogas a de escravo, como em Divinopólis em Minas Gerais, Catalão em Goiás, Campinas em São Paulo, etc.

A MRV é uma das empresas que mais utilizam da terceirização e da precarização das condições de trabalho. O alto grau de exploração , a péssima qualidade de suas obras e os vultosos recursos que recebe do governo multiplicaram suas margens de lucro e tornaram a MRV uma das empresas mais ricas e influentes nesse governo protetor das grandes empreiteiras sanguessugas.

A MRV, abocanha altíssimos lucros pois detém a construção de mais de 30% dos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida, sendo remunerada a vista pelo governo. Em um comunicado a MRV tentou se justificar; disse que a inclusão no cadastro do ministério decorre de fiscalização feita em 2011, em que foram identificadas supostas irregularidades promovidas por uma empresa terceirizada e que não trabalha mais para a companhia. Acontece que quase 100% da força de trabalho que é explorada nas obras da MRV são provenientes de empresas terceirizadas, onde se comete todo tipo de abusos, com o inteiro conhecimento da direção da empreiteira e de forma a aumentar os enormes lucros da MRV.