Os ex-moradores e movimentos sociais preparam um ato para essa terça-feira (22/01), quando completa um ano da desocupação do Pinheirinho, bairro popular de São José dos Campos que foi palco de um massacre em janeiro de 2012.

Na data, por volta das 6 horas da manhã de um domingo, 1700 famílias, aproximadamente 6 mil pessoas, foram acordadas por uma operação militar com feições de guerra: um contingente de 2 mil policiais, equipados com dois helicópteros Águia, cavalaria e farto armamento 'menos letal', como balas de borracha e gás lacrimogênio. As residências foram derrubadas com grande parte dos pertences dentro. Não houve acompanhamento de assistentes sociais, nem encaminhamento das famílias para outras moradias. A imprensa foi impedida de acompanhar a operação.

Passado um ano desde o despejo, ainda não foram designadas residências adequadas para as 6 mil pessoas. Os advogados que representam as famílias tentam, na justiça, reaver o terreno para que ele seja destinado a moradia popular, permitindo que os atingidos possam reconstruir suas casas.O ato, chamado pelo Movimento Urbano dos Sem Teto (MUST), será para chamar atenção para esta luta permanente. Ele acontece às 18 horas deste dia 22, no Centro Esportivo Campo dos Alemães, em São José dos Campos. São Paulo.

Para marcar a data, a Caros Amigos disponibiliza na íntegra a reportagem "Pinheirinho: como arquitetar um massacre" (>> clique e leia em  http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/component/content/article/210-revista/edicao-188/2759-pinheirinho-como-arquitetar-um-massacre), publicada na edição 188, mostrando que as denúncias não se resumem ao excesso de violência na operação do dia 22 de janeiro. Também a ordem judicial de desocupação do Pinheirinho foi e continua sendo alvo de graves suspeitas, uma vez que sinaliza a articulação entre os poderes executivo e judiciário paulista nos meses que antecederam o massacre dos moradores.

São tantas suspeitas que um grupo de juristas e advogados está recorrendo à Comissão de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), denunciando pontos nebulosos na ação do alto escalão institucional: juíza, desembargador, coronel da PM, prefeito e governador são apontados como agentes de violações.

Confira também reportagem que narra os abusos cometidos na reintegração de posse no ano passado:
>> Pinheirinho: jornalista de Caros Amigos narra os abusos em S. J. dos Campos, em  http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/cotidiano/1139-pinheirinho-jornalista-de-caros-amigos-narra-os-abusos-em-s-j-dos-campos