No entanto, as empresas indicaram que nada fariam se os endereços das ruas batizadas pelos militantes do MLB não fossem reconhecidos pela secretaria regional, representante do município. Em visita à secretaria, esta mesma comissão ouviu que este problema não será solucionado por parte da prefeitura, a qual considera os ocupantes como pessoas que "furam a fila da moradia". Ao ser questionado sobre a implantação do programa "Minha Casa, Minha Vida" ou outro programa, o secretario adjunto Wanderley de Araújo voltou a afirmar que há que se esperar que a prefeitura supere o déficit habitacional.

Todavia, nos últimos quatro anos a prefeitura de Belo Horizonte não construiu uma casa sequer para trabalhadores que tem renda abaixo de 3 salários mínimos, enquanto as ocupações organizadas por diversos movimentos populares construíram cerca de 2000 habitações. Infelizmente, a prefeitura nega-se a garantir tais direitos fundamentais para o ser humano e deixa, dessa forma, as famílias à própria sorte, com todo o tipo de risco que a falta destes serviços podem trazer. Entre os moradores da ocupação, estão diabéticos, idosos e crianças que precisam, por exemplo, de geladeira para manter medicamentos e alimentos essenciais. Além disso, sabem-se os males que a falta de saneamento básico traz à saúde e, embora o centro de saúde local já atenda algumas famílias, é necessária uma conscientização para promoção da saúde, não apenas o tratamento de doenças.

Por tudo isso, as famílias de Eliana Silva e o MLB insistem na necessidade de que a prefeitura e o poder público como um todo estejam presentes na ocupação, não para reprimir a luta destas pessoas, mas para garantir estes direitos. As pessoas que lutam não devem ser tratadas pelo Estado de forma diferente e seus direitos devem ser garantidos em plenitude.