Cada vez que Joaquim Barbosa abre a boca no STF bocejamos entediados. Ele já cumpriu o papel que lhe competia (condenar de maneira raivosa e servil os petistas por presunções e sem provas). O mandato dele agora vai se arrastar sem qualquer decisão relevante.

Ao abrir o ano judiciário hoje, JB (que é tão conhecido e popular na elite jornalística brasileira quanto o whisky de nome homônimo), falou que o Judiciário deve ser forte e que os Juízes devem ser independentes. Palavras grandiloquentes proferidas numa tribuna irrelevante.

Curioso discurso este. Contraria a história do próprio STF. Contraria até mesmo a lógica do sistema judiciário brasileiro (se é que temos um sistema judiciário e que ele algum dia tenha tido algo parecido com uma lógica).

O Judiciário brasileiro só é capaz de demonstrar força diante do povão, que condena, mete na prisão e deixa ser torturado e molestado como se estivéssemos na Idade Média. Frente à elite e aos militares, o Judiciário sempre foi fraco e servil.

Historicamente, os membros do STF sempre tiveram uma quedinha por golpes de estado. Nenhum dos membros do STF defendeu abertamente o Imperador D. Pedro II quando ele foi deposto pela revolta militar. A maioria dos Ministros daquele infame tribunal conviveu bem de maneira pacífica e "produtiva" com regimes brutais, como o que foi criado em 1937 por Getúlio e o que foi construído a partir de 1964 pelos militares com ajuda dos Juízes brasileiros. A força do STF sempre foi a abjeta e servil submissão dos seus Ministros à barbárie.

A última demonstração de fraqueza do STF foi dada quando do julgamento da Lei de Auto-Anistia que os criminosos da Ditadura enfiaram goela abaixo da população. Impunes eles queriam ficar, impunes ficarão porque o STF é servil. Não só servil, neste caso o STF foi sádico, pois com sua decisão segue torturando hoje as vítimas de uma Ditadura que parece não acabar nunca mal para os criminosos do regime.

O outro bordão levantado por JB faz-me rir. Coisa de bêbado. JB deve andar bebendo JB demais. Alpinismo social dá nisto, diriam seus amiguinhos na imprensa elitista monopolizada. Só a ingestão de muito JB explica a insistência de JB na independência dos Juízes.

No Brasil os Juízes nunca foram independentes do poder econômico. E muitos até se corrompem com alegria para poder servi-lo melhor e com mais conforto. Quanto custa uma súmula favorável à Febraban ou CNI no TST? E uma sentença para um traficante graúdo na primeira instância? Quantos HCs os Daniels Dantas e Cachoeiras da vida "ganharam" recentemente?

Quando do julgamento do Mensalão, os próprios Ministros do STF (JB incluído), deram a mais desastrosa, vergonhosa, acintosa e pusilâmine demonstração de dependência da mídia. A mídia inventou o Mentirão e os doutos juristas de tesoura recortaram artigos de jornal e os utilizaram para condenar os petistas sem provas. As presunções e culpas enunciadas pela imprensa tucano/demoníca construíram no STF a condenação dos petistas de maneira tão evidente, que vimos Ministros mudarem seus votos após a imprensa desautorizá-los durante um ou dois dias.

JB discursa como quem quer entrar para a História. Se entrar na História, JB pode acabar conhecido como o Pierre Cauchon brasileiro.

Esqueçam o discurso de JB no STF hoje. Ele não disse nada de novo ou de relevante. Comparado ao discurso de Hildegard Angel na ABI ( http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xNUp6T06Vyk ), a falação de JB no STF vale menos menos do que papel higiênico usado.