Em discurso ontem, durante encontro da corrente majoritária do PT em Carapicuíba (Grande SP), João Paulo lançou dúvidas sobre o procurador-geral, Roberto Gurgel, que denunciou Renan sob a acusação de peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso às vésperas da eleição no Senado.

"Você não acha que chega a ser ridículo o procurador-geral ficar com uma denúncia contra o Renan Calheiros mais de dois anos na gaveta e, na semana da eleição, retira e fala: 'Tá denunciado'?"

A denúncia se deve ao caso que derrubou Renan da presidência do Senado em 2007, após suspeitas de que um lobista de empreiteira pagava suas despesas. Anteontem, foi eleito com apoio do PT e de parte da oposição.

"O Renan é um quadro político que já há muitos anos tem demonstrado sua capacidade. O PT fez certo em apoiá-lo", disse João Paulo após seu discurso. "Ele tem agora a oportunidade de demonstrar as condições para fazer um grande governo."

No palco, João Paulo também criticou Gurgel por ter demorado "quatro anos" para mandar investigar o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), cassado em 2012 por ligações com o empresário Carlinhos Cachoeira.

"Será que esse procurador não tem um olhar seletivo? Algumas coisas ele faz andar e outras faz parar?", disse. Ele acusou o Ministério Público de "fazer um bem bolado" com a imprensa para "tentar organizar a oposição".

O tom é semelhante ao do ex-ministro José Dirceu, outro condenado no mensalão, para quem Renan foi vítima de "falso moralismo".

Procurada, a assessoria de Gurgel informou que ele já negou relação entre a denúncia e a eleição do Senado e que a demora ocorreu devido ao tamanho do inquérito.