A Venezuela desvalorizará o câmbio oficial da moeda em 33%, para 6,4 bolívares por dólar, no segundo trimestre, gerando mais receita em moeda local para cada dólar em exportações de petróleo, segundo a mediana das estimativas da Bloomberg. Em pesquisa de julho, esses economistas esperavam desvalorização na mesma proporção no primeiro trimestre.

As especulações sobre uma desvalorização se intensificaram na semana passada, depois que o vice-presidente Nicolas Maduro disse que Chávez havia elaborado novos planos para impulsionar as exportações ? de sua cama de hospital em Havana.

Chávez não tem sido visto em público desde que passou por uma cirurgia contra um câncer em Cuba, em dezembro. A Venezuela precisa desvalorizar o bolívar e aumentar sua receita fiscal, depois que os gastos do governo deram um salto nos doze meses anteriores à reeleição de Chávez , em 7 de outubro. O Morgan Stanley estimou que o déficit fiscal em 2012 equivaleu a 12% do Produto Interno Bruto (PIB).

"A desvalorização acontecerá de acordo com os desdobramentos na esfera política e em função das incertezas em torno da saúde do presidente", disse Alejandro Arreaza, economista do Barclays. "Se a condição do presidente desencadear eleições presidenciais em abril ou maio, a decisão de desvalorizar será adiada até julho". A morte ou uma renúncia de Chávez resultaria em eleições dentro de 30 dias, segundo a Constituição.

Os gastos, ajustados pela inflação, cresceram 25,5% no ano anterior à eleição, de acordo com Francisco Rodríguez, economista sênior para países andinos no Bank of America, em Nova York.

Agora, os cortes de gastos estão provocando escassez de produtos nos supermercados, do frango à farinha de milho e papel higiênico, disse Kathryn Rooney Vera, da Bulltick Capital Markets.

"A desvalorização é necessária e inevitável, pois a escassez de dólares está causando um agravamento da escassez de alimentos básicos", afirmou Rooney, para quem a oferta de dólares a taxas oficiais deve ter caído para menos da metade desde a eleição. "(A situação) chegará a um clímax muito em breve".

A desvalorização da moeda desacelerará a economia, pois um bolívar fraco afetará um setor privado dependente de importações, disse Arreaza, do Barclays.

"No caso da Venezuela, o único exportador é o governo, e o importador líquido é o setor privado, o que significa que haverá uma transferência de fundos do setor privado para o setor público", disse Arreaza. "Esses fundos deverão ajudar a fechar o déficit, em função do que haverá uma espécie de aperto fiscal".

Uma desvalorização corroerá os padrões de vida, ao elevar o preço das importações, alimentando uma inflação que, a 20,1%, já é a mais acelerada na região, disse Munir Jalil, economista da subsidiária do Citigroup na Colômbia, por telefone, em Bogotá.

O governo de Chávez desvalorizou o bolívar em quatro ocasiões desde a adoção de controles cambiais em 2003 para conter uma fuga de capitais.

Os venezuelanos recorrem ao mercado negro, no qual a moeda venezuelana é atualmente negociada a mais de quatro vezes a taxa oficial, quando não conseguem acesso ao câmbio Sitme, do banco central, e ao sistema Cadivi. O Sitme vende um dólar a empresas por 5,3 bolívares. Já o Cadivi negocia dólar a 4,3 bolívares para importações prioritárias.

O bolívar já foi desvalorizado em 63% desde que foi atrelado ao dólar em 2003, após a greve geral de dois meses que empurrou a economia para recessão e levou os venezuelanos a tirar US$ 1,2 bilhão do país. Nos últimos nove anos, os gastos do governo foram sustentados pela alta do preços do petróleo , que triplicaram.

Os preços do petróleo bruto tipo Brent poderão cair 6%, para uma média de US$ 105 por barril em 2013, de acordo com estimativas da Agência de Informações Energéticas dos EUA. Em janeiro , o mix petrolífero venezuelano foi negociado a um desconto médio de US$ 13,34 em relação ao tipo Brent, segundo a Bloomberg. A Venezuela precisa que o petróleo fique em torno de US$ 100 o barril, devido às quotas de produção da Opep