OBRIGADO, ANNA, MAS PODE FICAR COM ELA
Querida professora,
Em nome dos calouros e dos demais estudantes da PUC-SP, gostaríamos de dizer que ficamos lisonjeados com a preocupação com a segurança e com o consequente presente de início de ano: uma cerca de arame farpado logo na entrada. Mas queríamos te dizer: "não precisava se preocupar! Pode ficar com ela!". Então decidimos devolvê-la, porque acreditamos que você fará melhor uso disso. Deixamos onde a senhora tem passado os dias, ainda que tão reclusa: em frente à sala da reitoria.
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Anna Cintra, nós não precisamos desse tipo de proteção. Até porque, não somos bobos. A senhora nos mostrou bem o que é a dissimulação e nesse quesito a senhora realmente sabe ensinar.
Cerca cortante na nossa porta? Não, a gente sabe que não é para a gente ou para a universidade ficarem protegidos. Tanto não é assim que, enquanto desfazíamos mais um péssimo serviço que você prestou à comunidade, uma representante do conselho de segurança de Perdizes nos disse, com todas as palavras:
? Vocês prejudicam a tranquilidade do bairro. A cerca é para que ninguém mais tente entrar na universidade depois das 23h.
Professora, faça jus à suas palavras ao menos uma vez e venha conversar antes de nos impor a violência. Diálogo é uma palavra que tem mais significado do que um simples endereço de email, como o que a senhora, tão dissimulada, criou no final do ano passado.
Mais uma vez, acreditamos ser necessário retomar uma frase de Nadir Kfouri, que foi reitora da PUC-SP entre 1976 e 84. Com ela a senhora realmente deveria ter aprendido algo:
"Numa universidade o que deve prevalecer é justamente o aspecto EDUCACIONAL. E que mesmo quando a juventude possa, como acontece no mundo inteirinho, contestar e querer enfrentar determinadas normas estabelecidas, ao educador compete conduzi-las de uma forma PEDAGÓGICA. E parece-me que só dessa forma nós poderemos contribuir como educadores para o crescimento e para a afirmação da nossa juventude. Certamente NÃO é pela REPRESSÃO que se vai alcançar estes objetivos." - Nadir Kfouri, 1979.

