Esta semana a Europol anunciou que desmantelou uma imensa rede de corrupção no futebol do velho continente.

"De acordo com o diretor da Europol, Rob Wainwright, 425 pessoas, entre jogadores, árbitros e dirigentes, estão entre os envolvidos no esquema. Além disso, segundo Wainwright, houve prática ilegal em pelo menos 380 jogos profissionais na Europa, e outros 300 na Ásia, América do Sul e América Central. Entre as partidas suspeitas, estão dois jogos da Liga dos Campeões (um disputado na Inglaterra), confrontos das eliminatórias da Copa do Mundo, das eliminatórias da Eurocopa e "muitos grandes jogos das ligas europeias". A Europol ainda não divulgou os nomes de envolvidos e nem as partidas que teriam sido manipuladas, uma vez que o processo judicial está em curso."
 http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2013/02/europol-desmantela-esquema-internacional-de-corrupcao-no-futebol.html

A mídia reproduziu a fala do policial europeu sem fazer qualquer reflexão crítica. Aí o problema.

A Europol só tem poder de ação dentro dos países da UE. Por razões obvias, as autoridades policiais europeias não tem qualquer poder para investigar crimes e prender pessoas no Brasil ou em qualquer outro país Latino Americano (e mesmo na Ásia). Em nosso país, por força da CF/88, somente as Policiais Estaduais e a Polícia Federal podem investigar crimes, efetuar prisões, instruir Inquéritos e realizar diligências requeridas pelas autoridades judiciárias brasileiras. Mas ao noticiar a entrevista do diretor da Europol, a nossa vergonhosa imprensa não fez qualquer menção à incompetência daquela instituição para tratar de questões brasileiras.

Ao ler a notícia e mesmo ver a entrevista do policial europeu na TV, ficamos com a impressão de que a Europol vai baixar aqui, quebrar e arrebentar. Não é isto que vai ocorrer. No máximo a Europol vai informar a PF, que então abrirá Inquérito para apurar os fatos e apenas as provas colhidas no Brasil poderão ser usadas nos processo judicial.

Da forma que noticiou a questão a mídia reforçou a mania dos europeus de quererem resolver as questões dentro e fora da Europa. A Europol e a UE não tem poder (ou moral) para cuidar de assuntos futebolísticos e criminais no Brasil (ou para tratar destas questões dentro dos outros países latino-americanas e asiáticos). De maneira indireta, a imprensa rebaixou nosso status de país soberano, dotado de autonomia policial, com legislação e Judiciário próprios.

A mídia reforçou a xenofobia eurocentrista daqueles que querem ter, eternamente, supremacia mundial. Também deu asas ao complexo de vira-latas, pois ao ler a notícia ou vê-la na TV o respeitável público foi levado a crer que quem manda aqui é a Europol. A Europa corrupta e quebrada, lustra-botas dos militares norte-americanos, tem mais é cuidar dos seus penicos. Dos nossos cuidaremos nós à nossa maneira.