Nesta terça-feira, 5 de fevereiro, o Ministério Público denunciou 72 estudantes da Universidade de São Paulo por terem sido presos na desocupação da reitoria. Muitos estudantes foram presos do lado de fora da reitoria no dia 8 de novembro de 2011.

O processo interno na universidade se encerrou no mês passado e a pena máxima contra os estudantes foi a suspensão de 15 dias. Alguns estudantes que foram presos fora do prédio foram absolvidos.

Os estudantes ocuparam a reitoria contra o convênio assinado pelo reitor-interventor com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que oficializou a presença da PM na cidade universitária. A ocupação era política e reivindicava também a saída de João Grandino Rodas.

O movimento era uma legítima manifestação de um setor da universidade excluído dos órgãos de decisão.

Agora a promotoria quer processar os participantes do protesto por ?formação de quadrilha, danos ao patrimônio, pichação e descumprimento da ordem judicial?. A denúncia será analisada por um dos juízes do Fórum Criminal de São Paulo.

A acusação feita pelo MP é absurda. A função desse órgão deveria ser o controle externo da atividade judiciária garantindo um julgamento justo e imparcial. No entanto, com o passar do tempo, o órgão extrapolou suas atribuições iniciais e acabou se transformando em mais uma arma da direita de opressão do cidadão.

Assim, em lugar de fiscalizar a polícia, ele se somou à atividade dessa. Agora o MP tem poder de produzir a prova, investigar, acusar e ainda faz parte do sistema judiciário, como destacam vários procuradores e juristas que discordam da situação.

O movimento estudantil deve se levantar em todo o país contra esse ataque à organização dos estudantes.

O ataque aos estudantes da USP é uma tentativa de intimidar o movimento estudantil nacional.