| Exército faz a Comissão da Verdade de gato e sapato Por Celso Lungaretti 09/02/2013 às 12:59 Sob seu nariz os militares sequestraram o arquivo confidencial de um ex-comandante do DOI-Codi Logo que surgiram as primeiras especulações sobre quem integraria a Comissão Nacional da Verdade, dando como favas contadas que a presidente Dilma Rousseff honraria a INCONCEBÍVEL, INACEITÁVEL e DESONROSA promessa feita à bancada evangélica no Congresso, de não indicar nenhuma vítima direta da --militante torturado(a) pela-- ditadura de 1964/85, lancei minha anticandidatura, primeiramente como forma de protesto. NUNCA ADMITIMOS SER IGUALADOS AOS NOSSOS ALGOZES, que tentam justificar suas atrocidades com a desconversa de que os dois lados cometeram excessos. E o veto tanto aos criminosos da ditadura quanto aos antigos resistentes significava exatamente isto, a presunção de que ambos seriam identicamente inconfiáveis. Pensei também numa remota hipótese de mexer com os brios da esquerda, fazendo com que ela saísse de sua tradicional posição majoritária de atrelamento incondicional ao governo petista (enquanto a minoritária é de apenas negar tudo que o governo do PT faz e ficar de fora criticando). Sonhava vê-la levantando a bandeira da não capitulação diante dos parlamentares reacionários. A presença de pelo menos um membro aguerrido seria fundamental para dificultar a previsível acomodação diante da resistência da caserna à revelação da verdade. Alguém precisava pagar para ver quando os militares blefassem, como blefaram no célebre episódio do ultimatum do alto comando do Exército ao Governo Lula, em 2007 (vide aqui: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2011/07/anos-de-chumbo-democracias-nao-aceitam.html). Sabendo que meu nome não uniria a esquerda, várias vezes citei o companheiro Ivan Seixas, o grande responsável pelo resgate das ossadas de Perus, como segunda possibilidade. Se houvesse alguma mobilização para apoiá-lo, eu seria o primeiro a aderir, abdicando da minha anticandidatura. Clamei no deserto. Os petistas e os caudatários do petismo se comportaram como tais e não como sobreviventes de uma carnificina na qual foram imolados alguns dos melhores cidadãos que este país já produziu. E os derrotistas deram a batalha por perdida sem sequer travá-la, como sempre. Empossada há nove meses, o que essa domesticada comissão da verdade realmente produziu, afora a correção de um atestado de óbito famoso, retumbantes divulgações acerca do que todos estávamos carecas de saber e miudezas em geral? Valeu a pena a esquerda ter trocado a exigência de cumprimento da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de punição dos carrascos do Araguaia, por prêmio de consolação tão ínfimo? Se alguém ainda tinha dúvidas a respeito do verdadeiro papel dessa CNV, a entrevista que o escritor Marcelo Paiva deu à Folha de S. Paulo neste sábado (09) é suficiente para as desfazer, ao revelar que, sob seu nariz, os militares sequestraram o arquivo confidencial do coronel Júlio Miguel Molinas, ex-chefe do DOI-Codi do Rio de Janeiro: "...um dia depois da morte dele [1º/11], houve uma operação do Exército que cercou a casa e levou caixas e caixas de documentos. A CNV é que deveria ter chutado a porta do cara com um grupo de investigadores de alto nível, porque afinal é uma comissão oficial do governo brasileiro. Devia ter pegado essas caixas". Adiante, o Exército entregou à CNV apenas e tão somente os textos referentes ao assassinato de Rubens Paiva e ao atentado do Rio Centro. O que mais haveria? Nunca saberemos, pois, mesmo que a Comissão exija agora o acervo total, não haverá como determinar-se se foram subtraídos os documentos mais melindrosos. O Exército tem uma longa tradição de os incinerar, como até o Fantástico contatou, no episódio da base aérea de Salvador (vide aqui: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR67969-6009,00.html). Isto para não falar da grande queima de arquivos do segundo semestre de 1981, quando quase 20 mil documentos secretos foram reduzidos a cinzas (vide aqui: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2012/07/os-piromaniacos-da-caserna-passaram.html).
Email:: naufrago-da-utopia@uol.com.br URL:: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com >>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Isso prova que são criminosos.  | Celso Lungaretti é bem espertinho. Transcreveu apenas parte do depoimento dado por Rubens Paiva na sua entrevista à Folha de S. Paulo. A resposta completa segue transcrita abaixo, onde ele diz que OUVIU FALAR que o Exército foi lá pegar os documentos do finado coronel. Pois é, eu também OUVI FALAR que o Exército seqüestrou o ET de Varginha em 1996. Agora só falta a esquerda incluí-lo na lista de "desaparecidos". Leiam:
Folha: Quando a Comissão da Verdade foi tímida? Rubens Paiva: "No caso do coronel Júlio Miguel Molinas, ex-chefe do DOI-Codi do Rio, lá no RS. A gente ouviu falar que, um dia depois da morte dele [1º de novembro], houve uma operação do Exército que cercou a casa e levou caixas e caixas de documentos. A Comissão da Verdade é que deveria ter chutado a porta do cara com um grupo de investigadores de alto nível, porque afinal é uma comissão oficial do governo brasileiro. Devia ter pegado essas caixas. Se por um lado o Exército vai lá e chuta a porta, a comissão pede um ofício. É tudo muito lento"  | Não sou espertinho, nem manipulador; sou jornalista veterano, conhecedor de todas as manhas do ofício.
Então, sei muito bem que, quando alguém como o Marcelo Paiva levanta uma bola dessas, em entrevista para jornal importante como a "Folha dé S. Paulo", é porque tem absoluta certeza de que as coisas se passaram exatamente da maneira descrita.
Até porque certa vez eu desmontei algumas afirmações dele a meu respeito, o Marcelo não se arrisca mais a receber um bumerangue na cara.
Ocorre que seu informante, com certeza, pediu sigilo, daí ele ter deixado uma válvula de escape --"a gente ouviu falar"-- para se desobrigar de revelar sua fonte.
Como eu não assumi o mesmo compromisso, posso dizer, sem medo de errar, que alguém contou para o Marcelo que o Exército foi correndo apropriar-se desses documentos, por evidente temor das revelações que continham.  | 1) Devem ser os surrupiadores mais burros que existem na Força Terrestre porque justamente deixam os documentos polêmicos e constrangedores para as versões oficiais da ditadura, outra coisa, bastou o militar rapidamente surgiu documentos de seu arquivo pessoal já protegidos pela Brigada Militar (comandado pelo my amigo Tarso Genro), e pelo interesse dos órgãos federais. Acha história de "ouvir falar" é foda, que nem uma cartinha de desaforro ao filho do desaparecido político e escritor Marcelo Paiva em 1994 que culpava Lamarca pelo carro-bomba que arrebentou o QG do II Exército em 1968 (quando Lamarca nem era da VPR pela maior parte da bibliografia e depoimentos);
2) Qual o problema de falar dos excessos e atrocidades de ambos os lados? Não é igualar, mas contar a História para reconciliação nacional que uma Comissão Verdade coerente faria, assim como as Comissões do Peru, Chile, El Salvador, Guatemala e África do Sul relataram a violência dos grupos revolucionários esquerdistas e das forças governamentais (geralmente, muito superioras em barbárie, só no caso do Peru que a guerrilha matou mais que as forças legais).
3) Como nossa Comissão da Verdade escolheu um lado (dos agentes públicos envolvidos da repressão), então um monte de casos serão varridos para o tapete da História como:
I. Os familiares dos militantes "justiçados" Marcio Toledo, Francisco Jacques, Carlos Maciel e Salatiel Rolim não vão saber quem matou seus parentes e nem um reconhecimento da violência terrorista sobre eles. Aliás, a família de Carlos Maciel obteve um documento da ABIN mostrando que os órgãos de inteligência que ele não era traidor e entraram com pedidos de indenização, negados didaticamente pela Comissão de Anistia e jamais defendido por nenhum paladino do legado da guerrilha ...
II. Os familiares dos militantes Elizabeth Mazza e Ari Rocha Miranda até hoje não sabem onde estão seus restos mortais, mas esse assunto nem é ventilado para não melindrar os vivos ...
III. Como também é muito constrangedor para um órgão federal saber que o sequestro, tortura e assassinato do comerciante José Armando Rodrigues não tinha nada de "revolucionário", mas uma vendetta pessoal dos valentes da ALN para lavar a honra com sangue ...
IV. Como também não seria interessante que outros casos de excecuções pela esquerda armada, ainda sem responsabilidade e autores até hoje, viessem a tona, como do assassinato do soldado PMCE Valdemiro Brito em 1969 já admitido em depoimentos quando a ALN assaltou uma feira estadual cearense;
4) Recorda bem a Teoria dos Dois Demônios do ex-Presidente argentino Raul Alfonsin que a Argentina estava cercada pela violência imensurável dos militares contra o comunismo para se entronizar no poder autoritário e na violência sem limites das guerrilhas argentinas para expurgar os militares e imporem suas próprias ditaduras. Felizmente, como aqui e em outros países, foram os militares e guerrilheiros que perderam com seus projetos monopolíticos de poder, na democracia latino-americana ainda cabaleante ...  | "A vida te venceu em luta desigual. Era todo o passado presente presidente na polpa do futuro acuando-te no beco. Se morres derrotado, não morres conformado."
Carlos Drummond - Tu? Eu?
Eventuais excessos ou atrocidades praticadas pelos resistentes podem até não ser justificadas mas são explicadas pela desproporcionalidade da luta do Davi contra o Golias pois do rio que tudo arrasta se diz que é violento mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.
Romanecchi, não dá prá nivelar lados tão desiguais. Sai do armário e desiste de defender criminosos oficiais.  | Lungaretti-Boy, quem está se igualando? Falei relatar fatos, veja abaixo:
Me autoplagiando: "Qual o problema de falar dos excessos e atrocidades de ambos os lados? Não é igualar, mas contar a História para reconciliação nacional que uma Comissão Verdade coerente faria, assim como as Comissões do Peru, Chile, El Salvador, Guatemala e África do Sul relataram a violência dos grupos revolucionários esquerdistas e das forças governamentais (geralmente, muito superioras em barbárie, só no caso do Peru que a guerrilha matou mais que as forças legais)."
Está explicado o medo de vocês, as Comissões de outros países não igualaram, mas investigaram os eventos, situações e violências de ambos os lados para uma reconciliação nacional e até subsidiaram futuros indiciamentos judiciais pelas Promotorias (como no Peru).
O simples fato de investigar e trazer à luz momentos embaraçosos para os paladinos da luta armada, vai constranger como o cadáver sumido de Elizabeth Mazza pela VPR que os amiguinhos dela ainda inventaram durante décadas que ela tinha sido morta pela repressão paraguaia ... Muy amigos!
Seria muito interessante rever as questões dos "justiçados", nem reconhecimento e nem reparações do Estado tiveram e nem desculpas dos carrascos (a família de Carlos Cardoso entrou duas vezes com o pleito e foi indeferido, seus parentes tiveram medo dos assassinos). Inclusive, ler os debates das organizações de esquerda armada sobre possíveis justiçamentos de militantes que consideravam traidores da causa em 1970/1, como no Arquivo Brasil Nunca Mais - Anexo nº 8461/8462 ...
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