Presos reclamam por melhores condições na unidade (Imagem: Reprodução/Prisional)

A unidade concentra líderes da facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC), suspeita de ser a mandante de ataques registrados no estado nos últimos dias.

Em contato com o Comunique-se, a jornalista conta que o diretor da penitenciária, Renato Fernandes Silva, autorizou a sua ida, com a condição de que ela não tirasse fotos. Gabriela acompanhou o trabalho do juiz-corregedor do TJ, Alexandre Takaschima, de sua equipe, de integrantes da organização não-governamental Brigadas Populares e de duas advogadas.

Ela já havia ido em outras ocasiões à penitenciária, "mas nunca no auge da crise". Esta também foi a primeira vez em que ela conversou com um integrante do PGC. "No pavilhão quatro, ficam os presos de maior periculosidade. Procurei um dos presos do PGC. Pela portinhola, me identifiquei, falei que era repórter e conversamos. Não senti medo, mas senti uma adrenalina, nós estávamos sem escolta nenhuma e eu tinha que perguntar mil coisas, porque não sei quando terei outra oportunidade exclusiva como essa".

Os presos com quem a repórter conversou expressaram desespero e vontade de terem direitos e benefícios, como banho de sol, alimentos dentro do prazo de validade e boas condições sanitárias. "Achei muito sintomática a frase: 'Nós não somos bichos, somos seres humanos', você vê o desespero no olhar. Senti uma tristeza ao ver aquela miséria humana, aquele mundo cão", conta. A virose espalhada pela penitenciária acometeu a repórter, que apresentou quadro de diarreia nos últimos dias.

Gabriela conta que o diretor da unidade foi bastante atencioso e hospitaleiro, chegando a convidar o grupo para almoçar. Ela comeu ovo, arroz, batata frita e banana e tomou suco de laranja. Havia proteína, mas ela preferiu evitar. "A comida é horrível, vou ser bem sincera. E a comida dos presos tem um aspecto muito pior".

O grupo liderado pelos representantes da Corregedoria do TJ visitou, das 11h até pouco depois das 18h, o setor de saúde, a cozinha industrial, a padaria, a biblioteca e os quatro pavilhões com os 1.199 detentos registrados naquele dia.