As tradicionais asneiras proferidas por Silas Malafaia não deveriam mais surpreender ninguém. Mas mesmo assim continuam ganhando destaque. Desfavor da semana.


SOMIR

Um cidadão que diz que ?homossexualismo é comportamento? prova que não é capaz nem de entender o que está falando. E nem precisamos entrar no mérito do assunto, as palavras já se contradizem. O sufixo ?ismo? sugere que é doença, e na mesma frase ele completa botando na conta do comportamental? Silas Malafaia consegue não fazer sentido numa frase de TRÊS palavras! Sério que é esse tipo de gente que merece tanta atenção assim?

Eu sou extremamente favorável a ridicularizar religiões, especialmente as doutrinas e crenças mais fanáticas. Faz bem para o mundo como um todo que nenhuma dessas maluquices deslocadas da realidade esteja livre do escárnio. Mas tem uma linha aí que precisa ser compreendida e respeitada: Quando o ridicularizar se torna demonizar, inverte-se o princípio e dá-se mais valor para a mentalidade supersticiosa e preconceituosa do que ela realmente merece.

O simples ato de transformar caricaturas vivas como Silas Malafaia em algo além da piada que é já é danoso para a luta contra o atraso intelectual. Isso gera uma ilusão de importância tanto nele como em seus seguidores que acaba FORTALECENDO o que se deveria combater.

Religiões ficam mais fortes quando podem usar a carta da perseguição para convencer seus fiéis. Vitimização é uma arma poderosa, e cabe ao resto dos seres pensantes nesse mundo não fornecer tanta munição assim. O que se viu após a divulgação da entrevista foi uma clara separação entre detratores e defensores, criando uma péssima noção de que tem mesmo alguma coisa a ser discutida aí.

O que, num mundo livre das amarras de misticismo barato e glorificação da ignorância, não é verdade. Não temos mais que discutir se homossexualidade é natural ou não, não temos mais que sequer prestar atenção nos imbecis que discutem a equiparação dos direitos? Já era, a Terra é redonda, giramos ao redor do Sol? o conhecimento humano já tirou essas dúvidas do caminho, é hora de seguir em frente.

Temos mais um monte de problemas reais para lidar, não é bom para ninguém que fiquemos enroscando nos mesmos temas indefinidamente. E quando gente cujos ideais tem fins lucrativos resolve reabrir discussões vazias seguidas vezes, o certo é não dignificá-los com uma resposta.

Os fanáticos e os golpistas não vão mudar de ideia, não são eles que precisam de contra-argumentações complexas e ideias claras, seja por incapacidade de compreensão ou interesses escusos, essa gente coloca muito em jogo toda vez que parte para essa discussão. Perder não é uma opção.

Ao invés de partir para esse ataque PESSOAL contra malucos religiosos e conservadores, temos que confrontar suas ideias. Elas costumam ser fracas, irracionais, incoerentes. Um pouco de lógica invalida a maioria absoluta dos dogmas e preconceitos absurdos perpetrados por gente como Silas Malafaia. Agora, reverter o culto de personalidade que ele adora criar sobre si são outros quinhentos.

Ridicularizá-lo reforça sua capacidade de apelar para seus seguidores como mártir, e vamos concordar que cristão tem um ponto fraco DAQUELES quando o assunto é martirização. Bater mais no mensageiro do que na mensagem permite que ele reforce sua postura de quem está falando uma ?verdade inconveniente?.

E na verdade? não passa de ignorância seletiva e papo de quem não gosta de livros escritos há menos de um milênio. O ponto fraco está justamente na argumentação, na desconexão completa com a realidade e o desenvolvimento intelectual humano. O ?sacerdote?? esse tipinho é notória âncora evolutiva desde que mundo é mundo. Existe um poder muito grande aí, não é à toa que tantas barbaridades e absurdos tenham se dado por incentivo direto ou indireto de figuras assim.

Silas Malafaia disse um monte de bobagens, mas a crítica mais recorrente é sobre QUEM disse. Não parece óbvio porque gente assim consegue se manter em posições de poder por tanto tempo? Se o discurso não é combatido, fica muito fácil continuar dizendo as mesmas coisas para seus seguidores e se aproveitando da ignorância alheia.

E também péssimo o foco em ridicularizá-lo utilizando-se do expediente de compará-lo ao que critica. Dizer que ele está ?no armário? como forma de crítica é validar o que ele diz. Mesmo se ele fosse um homossexual enrustido, o problema ainda seria a burrice que demonstra. Enquanto a turma do conservadorismo cristão não receber a justa presunção de estupidez como ponto central da crítica sobre suas ideias, vão continuar essa escalada de poder (não só financeiro) da qual se beneficiam atualmente.

Como impedir que o estúpido pregando atraso tenha sucesso se continuamos a escutá-lo? Qualquer mensagem encontra quem concorde com ela com a dose certa de divulgação. Má publicidade ainda é publicidade.


Para dizer que não deixamos de ser parte do problema, para dizer que conseguimos irritar as duas partes ao mesmo tempo, ou mesmo para dizer que ainda precisa de mais provas para aceitar que a Terra é redonda:  somir@desfavor.com

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SALLY

Silas Malafaia é um babaca, idiota, débil mental, escroto, retardado e ignorante? Sim, sem dúvida alguma. Mas não deixem a babaquice dele ofuscar a grande babaquice coletiva que aconteceu esta semana, porque sim, o Desfavor da Semana não foi o que ele disse e sim a forma como as pessoas reagiram a esta declaração.

Silas Malafaia é aquela sua amiga gorda que, em função do sobrepeso, te faz parecer mais magra no parâmetro comparativo. Silas Malafaia é aquele marido canalha da sua amiga que faz o seu não parecer tão ruim. Silas Malafaia é aquela pessoa que todo mundo ama odiar, porque quando comparado a ele, todos nós nos sentimos ótimas pessoas. Ele é uma ótima desculpa para nossa mediocridade: poderíamos ser pior.

É fácil criticar Silas Malafaia, um ser humano caricato com graus de ignorância estratosféricos. Não precisa ter grandes embasamentos, inteligência argumentativa ou muito estudo, é só dizer que ele é um babaca a multidão te aplaude. Criticar Silas Malafaia não exige coragem ou culhões, muito pelo contrário, criticá-lo chega a ser um passaporte para a aceitação social: ?se uma pessoa o acha babaca, essa pessoa deve ter bom senso?. Criticar quem já está no chão sendo chutado é fácil, muito fácil.

Falar sem parar sobre uma pessoa como Silas Malafaia parece até autopromoção, pois exaltando os erros dos outros, por vias transversas, mostramos ao mundo como nós somos legais por não fazer esse tipo de coisa. Apontar o erro dele o tempo todo é ótimo para nossa autoimagem, mas é um desserviço social, pois acaba dando a ele o que ele quer: fama, repercussão, mídia. Se Silas Malafaia saiu das trevas e é famoso, é graças às pessoas que caem na armadilha dele e perdem seu tempo falando nele quando ele fala algo propositadamente chocante.

Honestamente, faz tempo que a gente sabe que ele é um jumento, um imbecilóide preconceituoso e ignorante. Porque merdas alguém para o que está fazendo com a intenção de assistir uma entrevista de Silas Malafaia? Alguém esperava que ele dissesse algo diferente do que disse? Não, né? Quem assiste uma entrevista desse energúmeno sabe muito bem o tipo de merda que vai sair daquela boca. Ainda assim, as pessoas param para ouvi-lo, juro que não compreendo.

Só pode ser para se sentirem bem consigo mesmas. Para se sentirem menos babacas, menos preconceituosas ao perceber que tem gente muito pior no mundo. Pois adivinha só: usar o parâmetro comparativo para saber se você é uma boa pessoa é um critério falho, que quase sempre nos induz à mediocridade. Você, que não gostaria que seu filho fosse gay, quando vê o Silas Malafaia falando deve se sentir quase que sem preconceito, porque vai, comparado a ele, você é uma flor!

Daí vão e fazem montagens com ele, com o vídeo da entrevista dele, com as coisas que ele fala? As pessoas não percebem que quando você se ofende com o que uma pessoa diz, você dá PODER a essa pessoa? Pessoas de merda a gente simplesmente ignora. Alçar alguém à categoria de inimigo, de merecedor de um embate, uma montagem ou um debate é dar poder demais, importância demais a essa pessoa. E é dar a ela justamente aquilo que ela quer. Parabéns, Brasil. A semana toda se falou em Silas Malafaia e absolutamente nada foi feito contra as escrotices que ele disse, apenas falaram sobre ele. Que porra de reação popular é essa que só gera benefícios (mídia) para a vítima?

Primeira coisa a ser questionada, e que salvo engano, ninguém questionou: que tipo de programa perde uma hora entrevistando Silas Malafaia? Não estou pregando censura, não estou dizendo que ele deve ser proibido de dar entrevistas, estou questionando que programa OPTA por chamar uma pessoa que só fala merda para entrevistar. Porque ao meu ver, esse tipo de programa sim merece um boicote. Malafaia é um débil mental, mas os produtores de um programa sabem muito bem o que estão fazendo quando colocam esse tipo de pessoa no banco dos entrevistados. Queriam IBOPE. E tiveram. Sem arranhar a imagem do programa. Porque o ódio todo do povo vai apenas para Silas Malafaia, não para quem lhe dá voz ativa.

Acho mais grave quem dá voz a débil mental do que o débil mental em si falando merda. Entrevistar o indigente mental uma vez para saber como ele pensa vá lá, mas a esta altura do campeonato, chamar Silas Malafaia é querer audiência, pois todo mundo sabe muito bem como ele pensa. É bater palmas para maluco dançar.

?Silas Malafaia falou isso, Silas Malafaia falou aquilo?. Nenhuma novidade. A novidade é gente dando microfone para esse bosta falar e gente perdendo tempo repercutindo as merdas que ele falou. Se colocasse um entrevistado bom, brilhante, culto, douto, no cu que o povo ia passar a semana toda comentando a entrevista! O Brasileiro Médio só repercute merda, creio eu para tentar se sentir menos merda mostrando ao mundo que não é tão merda assim, afinal, existe muita merda maior do que ele.

Mania NO-JEN-TA de só dar atenção e comentar aquilo que não presta. Deveria ser ao contrário, deveriam prestigiar com audiência e comentários coisas boas e produtivas. Mas não, querem posar de indignados pontuais (porque tem coisa muito mais grave acontecendo e ninguém fala nada), se aproveitando de algo que está em alta, na moda. Chove crítica a Silas Malafaia, críticas que por vias reversas são uma forma de mostrar ao mundo como são boas pessoas. Se as críticas fossem anônimas e quem as faz não colhesse os louros desse elogio reverso, será que teria tanta gente assim criticando? (Desfavor, criticando anonimamente há 4 anos).

Por caridade, deixem essa criatura nas trevas! Não abram microfone para esse bosta falar, não comentem quando esse bosta fala, não remexam na merda que ela só fede mais! Falar mal de Silas Malafaia não adianta nada. Tá revoltado? Compra uma arma com numeração raspada, veste uma luva e dá um tiro nos cornos dele, isso eu aplaudiria e encararia como faxina social. Mas ficar falando mal do sujeito só o beneficia, caso vocês não tenham percebido. Entra com um processo, dá um tapa na cara dele, muda de país? sei lá, tome a atitude que melhor lhe atender. Mas ficar falando mal não resolve, novamente, apenas o beneficia.

E tenham o bom senso de começar a desprezar qualquer meio de comunicação ou programa que abre o microfone para um babaca notório. Quem chama Malafaia, Bolsonaro e cia sabe muito bem o que vem por aí. Ridículo o conjunto da obra: quem chama, quem entrevista, quem assiste e quem gasta tempo falando mal. Em algum lugar, Silas Malafaia está rindo, muito satisfeito. Parabéns a todos os envolvidos.


Para pagar de analfabeto funcional e me criticar por defender Silas Malafaia, para reincidir no erro e gastar comentários falando mal dele ou ainda para me perguntar onde adquirir uma arma com numeração raspada:  sally@desfavor.com