Os dois principais dogmas da Igreja Católica são:

1º) infalibilidade do Papa = é o princípio do dono-de-boca-de-fumo carioca dentro da Igreja, segundo o qual o dono da boca (ou seja, o Papa) está sempre certo e sua autoridade não pode ser questionada por ninguém sem despertar a ira divina e terrena do imperador da cidade Estado do Vaticano e dos católicos "ad urbe et orbi";

2º) inspiração divina dos cardeais durante o Conclave = é o princípio da sucessão do dono-de-boca-de-fumo carioca, segundo o qual o poder do novo dono da boca (ou seja, o Papa) emerge entre os participantes da sucessão mediante uma série de indícios divinos e de trapaças terrenas também, que vão desde promessas de cargos, a ameaças veladas à oposição em potencial e até a concessão de imunidade e impunidade àqueles que malversaram o patrimônio da Igreja sob o Papa predecessor.

Bento XVI renunciou.

Sua renúncia equivale à demonstração de que o Papa falha. Portanto, a infalibilidade do Papa foi para o espaço.

Mais do que isto, a renuncia demonstra a falta de inspiração divina (e terrena também) daqueles que colocaram um covarde no trono de Pedro. Se soubessem que Bento XVI fugiria ao farto que aceitou ao ser ungido Papa vitalício (para a vida toda e não até a renuncia como ele quer), muitos dos cardeais que votaram nele certamente votariam em outro.

O outro Papa, aquele que não foi eleito durante o conclave anterior que entronizou Bento XVI por engano (engano confirmado e desfeito agora que ele renunciou), é, de fato e de direito, o único Papa que a Igreja merecia. Mas o Papa que a Igreja merecia ela não teve.

A interdição dos princípios da infalibilidade do Papa e da inspiração do Conclave durante a eleição de Bento XVI (reconfirmados pela sua renuncia), expõe a Igreja à mais abjeta das situações: a auto-destruição destrutiva.

De agora em diante, nunca mais um Papa eleito será acreditado como infalível. Nenhum outro Conclave será realizado sob inspiração divina. A derrocada destas duas pedras fundamentais da instituição, será certamente acompanhada pelo anuncio da morte de Deus e encerramento dos trabalhos católicos.

Mas o que será feito com o patrimônio da Igreja, que é vasto e se espalha pelo globo? Esta meus caros é a verdadeira pergunta.