Entra ano e sai ano, mas o preconceito racial brasileiro insiste em não ir embora. Hoje quero comentar sobre mais um caso vergonhoso de racismo que ganhou os noticiários na última semana.

Falo da discriminação sofrida por um menino negro na (Autokraft),revendedora autorizada de veículos da BMW, localizada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A criança de 7 anos foi expulsa da loja onde os pais adotivos (de cor branca) negociavam a compra de um carro.

Imaginando que o garoto se tratava de um menino de rua em busca de dinheiro, o gerente que atendia o casal se dirigiu a ele com as seguintes palavras:

"você não pode ficar aqui dentro, aqui não é lugar para você. Saia da loja".

Sem entender o motivo do destrato, o filho deixou o local perguntando aos pais adotivos porque não aceitavam crianças naquela loja, e porque tinham uma televisão passando desenhos, já que ali não gostavam de crianças.

O caso se assemelha com o de um menino negro, etíope, de 6 anos, expulso da Pizzaria Nonno Paolo, na Zona Sul de São Paulo, no fim de 2011. O garoto aguardava na mesa enquanto os pais adotivos (um casal de espanhóis de férias no país) se serviam no bufê do restaurante. Incomodado com a presença da criança, um funcionário a retirou do local a força.

Voltando para a história mais recente, a concessionária da BMW tratou de classificar o fato como um simples "mal-entendido", desculpa essa que já se tornou um clichê para os racistas. Sempre que o cerco se fecha, tudo não passou de um "mal-entendido".

Mas a verdade é uma só, o vendedor julgou o menino pela cor de sua pele. Com a condição financeira dos pais adotivos, tenho certeza que a criança não estava tão descuidada e mal vestida a ponto de ser confundida com um menor de rua. O único problema é que se tratava de uma criança negra na loja da BMW né?

Nem precisaria dizer, mas esse episódio é inaceitável. A questão racial no Brasil ainda é muito forte, e isso precisa ser combatido tanto na esfera educacional como na judiciária. É necessário mostrar para os entusiastas do "Apartheid" que acabou esse negócio do "aqui não é lugar para você".
O lugar do negro é dentro da própria sociedade, e ponto.