Tema de hoje: Para o leitor, é melhor admitir que lê o desfavor ou manter em segredo?


SALLY

O que é melhor para o leitor do Desfavor: dizer a todos que lê o blog ou manter isso em segredo? Na minha opinião, admitir que lê. Não por querer divulgar o blog nem nada, fosse para isso a gente abria um Twitter e um Facebook. É pensando no leitor mesmo.

Para começo de conversa, o Desfavor é um ótimo filtro. Se alguém se afastar de você porque você é leitor do Desfavor, provavelmente essa pessoa acabaria se desentendendo com você mais cedo ou mais tarde e provavelmente ela não teria muita afinidade com você. Seria alguém com quem você teria que medir palavras, aquela chateação que mais parece uma obrigação social do que uma amizade. Então, nada melhor do que saber logo se a pessoa é farinha do mesmo saco que a gente e ver o que ela pensa do blog.

Além disso, não é você, Leitor, quem escreve o que está aqui, nenhum abuso, nenhum excesso será creditado a você. Esse é um dos motivos pelos quais quem escreve deve permanecer no anonimato: Somir e eu temos culpa, você não. Sendo o caso de algo que a gente escrever ser pesado demais, você pode até dizer ?Realmente hoje eles pegaram muito pesado, não concordo não?, afinal, ser leitor não é concordar cegamente. Nada do que for dito ou feito aqui será imputado a você.

Já te passou pela cabeça que algumas vezes fazemos nossa hipocrisia social básica do dia a dia nos portando da forma esperada, da forma politicamente correta, quando na verdade o interlocutor também pensa como a gente e também está usando sua máscara de Luciano Huck? Duas pessoas fazendo seu papel social por medo do que a outra vai pensar quando no fundo pensam a mesma coisa! O problema é que para descobrir que a pessoa pensa como você, corre-se o risco de ofendê-la. Mas não usando o Desfavor.

Se admitir leitor do Desfavor é tirar essa máscara e permitir que diversos interlocutores que convivem com você também tirem as deles. Já pensou que bacana encontrar meia dúzia de pessoas com as quais você possa ser você mesmo? Se tudo mais der errado e se o interlocutor desprezar o Desfavor, na pior das hipótese você passa por uma pessoa excêntrica ou ameniza a situação dizendo ?sei lá, li uma vez e achei engraçado?, já sabendo que aquela pessoa não tem alma de Impopular.

Desfavor abre uma porta para que você consiga identificar pessoas: quem abomina tem determinado perfil e quem gosta provavelmente pensa mais ou menos como você. Tudo isso você descobre sem precisar fazer uma piada de péssimo gosto, correndo o risco de ser responsabilizado por ela. No caso, o risco é todo nosso! Nos use, nos use para tentar encontrar nesse mar de gente chata alguém um pouquinho mais hardcore.

Ler não é crime. Ler coisas desagradáveis não é crime. Ler o Desfavor sequer pode ser recriminado, temos colunas bastante educativas. O escroto é quem escreve. O único cuidado que você tem que ter é de deixar bem claro que NUNCA COMENTA aqui, porque a partir do momento em que você escreve, a coisa pesa para o seu lado. Diga que nunca comenta, a menos que seu nome seja muito exótico tipo Marcleison, dá para atribuir comentários seus a outras pessoas com o mesmo nome.

E, porque não, você estará fazendo um bem ao país divulgando o Desfavor. Porque vai que de cem pessoas que conheçam o blog, apenas uma mude de ideia e reflita sobre tanta babaquice e hipocrisia que assola a sociedade? já terá valido a pena! Vai que uma pessoa no meio de mil tem bons contatos e resolve filmar Siago Tomir? Vai que uma pessoa no meio de um milhão tem alguma coisa para acrescentar ou contribuir que faça toda a diferença para a Nação Impopular? Vai que uma em um bilhão leia um Em Direito e descubra que tem direito a uma série de coisa e decida pleitear? Você não sabe se vai fazer a diferença ou não, mas não divulgando o Desfavor pode estra fechando uma porta importante.

Além disso, Caro Leitor, você terá benefícios particulares. Se pessoas do seu meio lerem o Desfavor, você ganha um canal livre e impune para dar indiretas para os outros. Basta me mandar um e-mail sugerindo um tema (spoiler: quase metade dos Sally Surtada são pedidos para funcionarem como indiretas) e eu faço o texto: pronto, seu alvo vai receber uma indireta sem saber de onde ela veio. Negue, negue até a morte. Quem sabe depois disso a pessoa não para com o comportamento repulsivo?

Agregar pessoas que prestem é bom para o Desfavor e é bom para vocês. O debate fica mais rico, há mais opiniões para compartilhar, há mais ideias e discussões. O Desfavor fica mais forte, mais renovado. Quanto mais forte for o Desfavor, mais nossa voz será ouvida, maior será nosso poder de ofensa e maiores as chances do circo realmente pegar fogo. Contribua, afinal, não há o que temer, não foi você quem escreveu nada!

Na pior das hipóteses, você pode dizer ?é um blog que tem de tudo, procure a coluna com a qual você mais se identifica e leia?, porque é verdade. Tem de tudo: ciência, verdade, mentira, ficção, informação, notícia e grosseria. O leitor que filtre o que gosta de ler, o esquema é la carte. Julgo impossível encontrar alguém que não goste de NADA do que foi escrito diariamente, de domingo a domingo, nos últimos quatro anos.

Vamos combinar, o Brasil é um país onde as pessoas admitem sem constrangimento que leram ?Cinquenta tons de cinza?, ?A Cabana?, ?Ágape?. Um país onde não há qualquer implicação em admitir ser leitor de Paulo Coelho, Dan Brown, Sidney Sheldon. Porque merdas haveria de depor contra você ler o Desfavor? As pessoas tendem a gostar de algo se alguém lhes afirmar com muita convicção que aquilo é bom, pois são carentes de discernimento. Pergunte a qualquer publicitário.

Esfregue o Desfavor na cara da sociedade e foda-se se alguém não gostar. Quem sabe você não descobre gratas surpresas no seu círculo de contatos?


Para se exceder e tatuar ?desfavor? no seu corpo, para dizer que nem fodendo vai admitir que lê esta merda ou ainda para usar a tática de dizer que você não lê, quem lê é o seu primo:  sally@desfavor.com
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SOMIR

É melhor ficar na sua. Em diversos outros textos eu já mencionei que essa nossa ?experiência social? nessa vida é muito superficial. As pessoas são mais parecidas entre si do que gostariam de admitir e praticamente tudo vira motivo para inventar diferenças e categorizar pessoas.

E eu sei que acabo de escrever um parágrafo absolutista? você pode muito bem não concordar com nada disso, direito seu estar errado(a). Só quero que vocês entendam de onde está vindo o meu argumento. Meu ponto aqui é que mencionar que lê o desfavor é uma forma de comunicação. Você está dizendo para outro ser humano que o que se escreve aqui te interessa, e dependendo do caso, que você ainda bate ponto aqui diariamente.

Isso é uma informação sobre você passada para outra pessoa. Pessoa que tem ligação com você e nem sabe que a gente aqui existe. Você realmente acha que Sally e Somir vão ?levar a presunção? por você? Tudo o que escrevemos aqui vira elemento de construção da imagem que a outra pessoa tem de você! Por sorte temos uma grande maioria de leitores que DISCORDAM da gente dia sim, dia também. Você realmente quer ser julgado pelas opiniões do Somir ou da Sally?

Sei que é bacana dizer que não liga para a opinião de ninguém, mas nem só de bravatas e auto afirmações se faz a vida. Como em toda forma de comunicação, existe um potencial enorme para ruídos e mal entendidos. O desfavor tem opiniões que em sua maioria já estão amadurecidas. Não necessariamente no sentido da solidez de sua lógica, digo no que tange a quantidade de tempo e calorias gastas para formulá-las.

Alguém que nunca pensou muito sobre religião, por exemplo, pode tomar um choque ao se deparar com as camadas e camadas de ideias e ideais sobre as quais nossas opiniões sobre o assunto se solidificaram. Devemos soar como ?talibãs do ateísmo? para muita gente? Ainda mais se essas pessoas não forem muito afeitas a conceitos como ironia e sátira. Essa presunção tende a pingar em quem se diz leitor(a) assíduo(a) do desfavor.

E não é necessariamente taxar o outro de burro. Talvez essa mesma pessoa, com algum tempo para se adaptar ao assunto, acabe percebendo mais sobre o que se diz por aqui do que uma simplificação maniqueísta. Podendo discordar, mas entendendo melhor sobre o que se discute. Afinal, boa parte da internet é ocupada por pessoas incapazes de entender o conceito de ?área cinza?. Ou você está de um lado, ou está de outro?

E entendam que eu não estou clamando aqui a necessidade de elitização para ENTENDER o desfavor, cada um vai enxergar as coisas como puder/quiser. Não temos controle sobre isso e seria um desperdício tentar elitizar o público dessa forma, acabaríamos apenas com quem concorda com a gente.

Como a proposta do texto é falar sobre o leitor, posso diferenciar. Do ponto de vista do escritor, é divertido que as pessoas reajam de formas imprevisíveis, mas pensando como alguém que tem de alegar que é leitor, acho errado essa transmissão de responsabilidade. É um dos meus maiores orgulhos daqui que o desfavor DIGA alguma coisa, só de fazer isso, já estamos ganhando. Agora, qual é a necessidade do leitor de dividir essa opinião e o que normalmente se depreende dela?

Talvez valha a pena em casos específicos, onde você conhece a pessoa o suficiente para saber que a separação entre leitor e escritor vai se manter intacta. Mas isso é bem diferente de dizer por aí que lê o desfavor. Gente que mal te conhece e VAI usar essa informação para formar opinião sobre você também vai ficar sabendo.

E essa é a parte mais altruísta da minha argumentação. Como sei da minha fama, vamos à parte egoísta, ou ninguém vai acreditar?

Parece tiro no pé, eu sei. Como um dos donos do lugar não quer que as pessoas divulguem seu material? A minha experiência na área de publicidade já me ensinou que existem diversos caminhos para o sucesso de uma campanha. Tudo depende de quem você quer atrair e como você quer que essas pessoas interajam com sua ?marca? a partir daí.

Já disse inúmeras vezes que detesto quando os comentários viram ruído, esvaziando um dos propósitos da RID: A discussão. Entendo agora que tem uma parte de socialização que não pode ser ignorada, gente que pensa mais ou menos na mesma frequência que a gente não costuma ser fácil de achar. Mas até aí há de se exercitar um pouco de precaução. Não pode ser festa?

Quando um(a) leitor(a) traz conhecidos para cá, isso nem sempre quer dizer que a ?comunidade? ficou maior. Muitas vezes é assim que começam os rachas no grupo? O desfavor não é baseado em disputa de popularidade, nosso ideal está muito atrelado ao anonimato e à liberdade de dizer o que pensa sem as amarras sociais tradicionais. A opinião vale mais do quem deu a opinião. A partir do momento em que alguém pode usar a pressão do grupo ao seu favor independentemente do que disse, a merda está feita.

Isso aqui NUNCA pode virar disputa por reputação ou aceitação, senão caímos na vala comum muito rápido. Ser anônimo ? mesmo que com um apelido recorrente ? permite que as babaquices do trato social do dia a dia fiquem para trás, mostrando muito mais a carinha de quem está por aqui do que mesmo conhecê-las ao vivo.

APOSTO que muita gente aqui passa fácil por membro saudável da sociedade quando não está logado no desfavor. Gente que você não acharia tão interessante se visse numa situação ?normal?. Manter o desfavor separado da vida real não é apenas uma medida de precaução contra a estupidez alheia, é justamente o que torna essa comunidade o que é.


Para dizer que vai ler ambos os pontos de vista e decidir o que fazer de acordo com o que for mais cômodo, para dizer que é só medo de vir mais gente para falar de maquiagem, ou mesmo para dizer que concorda comigo por achar o desfavor uma merda mesmo:  somir@desfavor.com