A presidenta Dilma Rousseff criticou nesta terça-feira as "correntes conservadores que quase empurram o mundo para o abismo da crise" ao anunciar medidas que, segundo o governo, vão zerar o cadastro de pessoas que vivem na miséria no país, o que a presidente classificou de "miséria visível".

Num discurso em que exaltou o Super-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fez críticas aos programas sociais existentes antes do início do governo do PT em 2003, Dilma disse que essas correntes não entendem o país e seu modelo de desenvolvimento que, segundo ela, se diferencia do que acontece atualmente em várias partes do mundo.

"É diferente do que está sendo praticado no mundo, com perdas de direitos e o surgimento de pessoas em situação de extrema precariedade em países que eram antes, até então, líderes na questão do bem-estar social", disse a presidente, reiterando indiretamente críticas que já fez no passado aos modelos de combate à crise econômica, especialmente na Europa, focados na adoção de medidas rígidas de austeridade.

Um dia antes de participar em São Paulo de um evento para comemorar os 10 anos do PT no governo federal, Dilma classificou de "precários" os programas sociais existentes antes da chegada de Lula à Presidência em 2003 e disse que, somente com o início do governo petista, a questão social tornou-se central no Brasil.

A Presidenta anunciou a ampliação do programa Brasil Sem Miséria em 800 milhões de reais este ano para tirar da pobreza extrema mais de 2,5 milhões de pessoas, zerando assim o cadastro oficial de miseráveis do país.

Dilma reconheceu, no entanto, que com a retirada de todos os cadastrados da situação de pobreza extrema, ainda há trabalho a ser feito e fez um apelo para que os municípios colaborem na busca ativa de pessoas vivendo em situação de pobreza extrema que estão fora do cadastro.

"Agora que acabamos com a miséria visível, temos que ir atrás da miséria invisível", disse Dilma.

"Vamos entrar na história como um dos países que, de forma determinada e acelerada, eliminou de seu território a pobreza extrema, a miséria."