Yoane Sanchez é um embargo à inteligência. Não vou perder tempo lendo as baboseiras que ela publica ou que são publicadas sobre ela. Mas há um outro embargo mais importante.

O embargo a Cuba nunca vai acabar, pois ele é um dos elementos que definem as eleições presidenciais norte-americanas. Nenhum candidato que tenha proposto seu fim durante a campanha presidencial foi levado para a Casa Branca. Nenhum Presidente eleito dos EUA tentou seriamente acabar com o embargo à Cuba porque se o fizesse não seria reeleito.

Cuba não é e nunca foi um problema. É irrelevante para a economia dos EUA. Não representa qualquer ameaça militar ou política para os norte-americanos, que aliás adoram comprar charutos cubanos no mercado negro.

O verdadeiro problema é mediocridade política e intelectual da maioria dos norte-americanos. Os gringos ficaram congelados na Guerra Fria. Eles não sabem como pensar e votar num admirável mundo novo em que o poder e o capital moral dos EUA definham a olhos vistos. Sobretudo, eles tem medo do futuro. Mesmo que neguem isto conscientemente, no fundo eles percebem que a economia dos EUA derreteu. Muitos dos desempregados que enchem as ruas norte-americanas são ex-soldados.

O embargo à Cuba é uma espécie de refúgio ilusório muito seguro. "Nós derrotamos o inimigo cubano" pensam os gringos (sem perceber que os maiores inimigos deles são... eles mesmos e a sua mediocridade). "Nós continuaremos a derrotar o inimigo cubano" dizem os norte-americanos embriagados de nacionalismo (mas o nacionalismo nunca enche a barriga de ninguém, especialmente durante uma crise que o governo dos EUA teima em aprofundar ao não enfrentar os banqueiros) .

Enquanto isto... além mar os cubanos levam a vida como podem. Eles fazem seus charutos e os vendem mais caro no mercado negro dos EUA. E certamente riem muito das neuroses e boçalidades norte-americanas.