Sem ter para onde ir, morador lamenta desocupação

Um dos moradores da ocupação, Noel Moreira, de 53 anos, disse que foi pego de surpresa com a presença da polícia para cumprir a reintegração de posse. ?Ninguém avisou a gente, não temos casa para onde ir, não temos dinheiro para pagar um aluguel. Tinham que dar um prazo para a gente sair?, diz. Moreira construiu uma casa ? eu tem inclusive água encanada e energia elétrica ? no bairro há três meses, quando veio de Paranaguá, onde a antiga moradia pegou fogo. No local, ele mora com a mulher, de 29 anos, e duas filhas, de 3 e 5 anos. ?Os policiais cercaram o bairro todinho e disseram que é para a gente sair até as 20h, desmanchar casa, arrumar mudança. Como é que dá tempo de fazer isso? Quem tem casa para onde ir é mais fácil, mas não ofereceram nenhum abrigo para a gente?, conta. Sem parentes no Paraná, a família não sabe para onde ir. Moreira veio de Belém do Pará há quatro anos, para morar em Paranaguá, cidade em que vive a sogra. A mulher, que sofre com problemas do coração, mora em uma pequena casa alugada, onde não há espaço para a família de Moreira. ?Eu fabrico e vendo canetas para identificar dinheiro falso. Agora eu que tava começando a crescer, com esperança de fazer uma casa boa, já acabou?, lamenta.