A matéria , abaixo, é da lavra da Isto é. É de uma responsabilidade sem tamanho. Embora escrita há anos, ela serve para os dias atuais. Concluo, sem muito esforço, que o grande negócio dos políticos brasileiros não são as OBRAS ACABADAS, MAS AS INACABADAS, onde dinheiro corre " a rodo ".

Contra fatos, não existem argumentos. Ou alguém pode me provar que os mentores destas obras inacabadas foram compelidos a faze-las e/ou foram processados e presos ?

Vejam a obra de transposição do Rio São Francisco, que teve início sem um cronograma, conforme definido pela lei federal 8.666, de 1994.

Com apenas 50% da obra concluída, já culminou ( dado a irresponsabilidade - será mesmo irresponsabilidade ?) com um aumento ( TERMO ADITIVO de mais de R$. 300 milhoes de reais ).

Mas, por que esse dinheiro não foi previsto no cronograma original?

Por que trafico de droga dá tanto dinheiro ? por que é coisa errada, ilegal.

E por que o MPF não intervem, de forma implacável?



O título e sumário são de minha responsabilidade, excluida a Isto é.

júlio c. fortes
acre

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 http://www.terra.com.br/istoe-temp/confere/index_confere_5.htm


Confira o que aconteceu com fatos abordados
em grandes reportagens da revista ISTOÉ


GRANDES NEGÓCIOS QUE QUEBRARAM O BRASIL
Este é o roteiro das obras inacabadas do faraó Ernesto Geisel

Edição 1229, de 21/04/1993



A reportagem



Na década de setenta os militares, principalmente o presidente Ernesto Geisel, iniciaram várias grandes obras pelo País, usinas nucleares, ferrovias, siderúrgicas, projetos de irrigação e saneamento básico. Era época do "milagre econômico" do ministro Delfim Netto. ISTOÉ viajou o Brasil para verificar como estavam alguns desses delírios
que fizeram a alegria de fabricantes e bancos estrangeiros, encheram bolsos de funcionários do governo e aumentaram tremendamente a dívida externa. Em 1974 ela era de US$ 12 bilhões e constituída basicamente por particulares, principalmente filiais de empresas multinacionais. Quando Geisel terminou seu mandato, em 1978, a conta virara estatal e chegava aos US$ 60 bilhões.

Projeto Jaíba

Criado em 1975, O Jaíba pretendia irrigar o sertão de Minas Gerais, próximo da Bahia, com águas do Rio São Francisco. Seriam 100 mil hectares onde estariam assentados 10 mil colonos e empresários de todo mundo produziriam de leite a mel. Em 1983 o projeto já havia consumido US$ 250 milhões e ainda eram necessários US$ 500 milhões para concluir todas as etapas.

Projeto Sanegran

Iniciado em 1971 e chamado de "A Itaipu dos esgotos", numa alusão à gigante usina hidrelétrica de Itaipu, este projeto de saneamento básico deveria tratar todos os dejetos produzidos pelos rios da Grande São Paulo, uma previsão de 63 metros cúbicos por segundo no ano 2000. Quinze anos depois havia enterrado concreto equivalente a nove "maracanãs" no trecho entre a Lapa e Barueri e espera tratar modestos 28,5 metros cúbicos por segundo até 2005, sendo que para isso são necessários US$ 2 bilhões.

Açominas

A Açominas foi decidida num dos três grandes pacotes que Geisel assinou em 1976 quando, sucessivamente, esteve em Londres,
Paris e Tóquio. A idéia inicial era produzir dez milhões de toneladas de perfis de aço por ano. A produção deveria começar em 1980, começou em 1985. Como os financiadores da obra eram europeus,
os equipamentos foram retalhados: dos quatro laminadores comprados, dois eram alemães, um inglês e outro francês. Hoje os enormes equipamentos vindos da Alemanha estão parados.

Ferrovia do Aço

Prevista para unir São Paulo e Belo Horizonte em cerca de 800 km
de pista dupla eletrificada, a Ferrovia do Aço opera apenas em um trecho entre a cidade mineira de Jeceaba e Barra Mansa, no Rio de Janeiro. Mais de US$ 2 bilhões foram gastos, sendo US$ 250 milhões em equipamentos comprados da Inglaterra e que estão estocados em um armazém na cidade paulista de Cruzeiro. Entre eles estão 35 locomotivas desmontadas, 600 toneladas de cobre puro e milhões
de arruelas, rebites, grampos, roldanas e polias.

Usinas Nucleares de Angra 2 e 3

A mais polêmica obra de Geisel para o "Brasil Grande", capaz de desafiar as superpotências. Resultado do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, assinado em 1975, Angras 2 e 3 foram contratadas conjuntamente. Angra 2 começou a ser construída em 1976, com
os trabalhos se arrastando até 1983, quando foram paralisados. Angra 3 é somente uma cratera cravada na rocha, inundada.
Foram comprados equipamentos para as duas usinas no valor de
US$ 2 bilhões e duas fábricas foram construídas, a Nuclep,
Nuclebrás Equipamentos Pesados, e a Nuclei, Nuclebrás Enriquecimento Isotópico, esta para enriquecimento de urânio.
O valor gasto nestas duas chega a US$ 800 milhões.


O que houve depois

Projeto Jaíba

Em fins de 1997, o projeto irrigava 25 mil hectares do
extremo-norte de Minas Gerais, com pouco mais de 1.000
famílias assentadas e alguns pequenos empresários.

Projeto Sanegran

Pouco saiu do papel, o projeto foi abandonado, sendo substituído pelo Programa de Despoluição da Bacia do Alto Tietê. Em 1992, o porcentual da população atendida pela Sabesp na região metropolitana era de 63%. O projeto Tietê gastou em sua primeira fase US$ 1,1 bilhão. Para a segunda fase, prevista para durar até 2003, será necessário mais US$ 1,1 bilhão, sendo que US$ 400 milhões já foram captados pelo governo Covas neste ano. Outro bilhão de dólares é necessário para a terceira fase do projeto, que tem conclusão prevista para 2010.

Açominas

Em 1986 iniciou operação integrada da Usina Presidente Arthur Bernardes, sendo privatizada em 1993. Hoje exporta sua produção para todos os continentes, principalmente para a Ásia. Em 1998
seu balanço registrou um prejuízo líquido de R$ 92,766 milhões.

Ferrovia do Aço

A Ferrovia do Aço continua funcionando no mesmo trecho de 1993. A Rede Ferroviária Federal, RFFSA, foi retalhada em seis empresas que foram privatizadas entre 1996 e 1997. Em liquidação, a RFFSA hoje administra os ativos arrendados, o patrimônio não arrendado e
o passivo remanescente.

Usinas Nucleares de Angra 2 e 3

Depois de 24 anos e gastos de R$ 12 bilhões, a usina nuclear de Angra 2 entrou em operação. Ela começou a gerar energia em 21
de julho deste ano. Angra 3 continua a ser um buraco gigante e inundado.