O fascismo cristão, integrado por organizações católicas e evangélicas, avança nos Estados Unidos, e ganha cada vez maior influência e poder de mobilização, apesar da derrota eleitoral para Barack Obama. Redes universitárias, associações destinadas ao proselitismo, grupos de informação, entretenimento e empresariais evangélicos movimentam centenas de bilhões de dólares e exercem grande influência em Hollywood, Wall Street e Washington.

O alarme é acionado por um número crescente de livros, trabalhos acadêmicos e artigos publicados na imprensa liberal estadunidense. Para a autora A. F. Alexander, por exemplo, está em curso uma estratégia de longo alcance, anunciada pelo documento ?O mandato das Sete Montanhas de Influência?, escrito em 1975 por Loren Cunningham e Bill Bright. O documento orienta a ação evangélica para sete áreas: 1. Leis e governo; 2. Comércio e finanças; 3. Educação; 4. Mídia e comunicação; 5. Artes e entretenimento; 6. Família; 7. Espiritualidade e Igreja.

Com profusão de dados, expostos no livro Religious Right ? the greatest threat to democracy (Direita religiosa - a principal ameaça à democracia, editado em 2011), Alexander demonstra que a estratégia foi, até agora, muito bem sucedida. O principal objetivo dos fundamentalistas é o de destruir a Cláusula de Estabelecimento (Establishment Clause), redigida por Thomas Jefferson como parte da Primeira Emenda à Constituição, que, por sua vez, é um dos dez artigos que compõem a Declaração dos Direitos. ?O Congresso não aprovará leis com objetivo de estabelecer uma religião nem de proibir o direito à liberdade religiosa?, estabelece a cláusula, criando um ?muro? para separar estado e religião.

O fascismo cristão, afrontando todas as evidências históricas, inventou e alimenta a fábula segundo a qual os Estados Unidos foram fundados como nação cristã e devem por ser isso ser governados pela lei bíblica. Para eles, qualquer forma de humanismo, incluindo o legado iluminista, deve ser condenada como blasfêmia, heresia ou coisa do demônio.