Exigimos o cancelamento do arbitrário julgamento dos 24 operários grevistas de Jirau, previsto para o dia 27 de fevereiro na 1ª Vara Criminal de Porto Velho.
Esses operários estão sendo atacados por participação na paralisação por melhores condições de trabalho e salários que envolveu mais de 20 mil trabalhadores. É um vil ataque e tentativa de criminalizar o direito de greve.
Faz parte da campanha de criminalização desatada pelo gerenciamento Dilma Rousseff (PT), forças de repressão e judiciário contra a justa luta dos operários que estão sendo acusados dos crimes de ?incêndio, dano, extorsão, constrangimento ilegal? e até de ?formação de quadrilha ou bando e furto qualificado?.

Conluio do governo e judiciário com as empreiteiras

As empreiteiras, cevadas no regime militar, seguem enriquecendo como nunca através do aliciamento de operários em regiões distantes dos locais das obras, imposição de trabalho escravo, péssimas condições de alojamentos e salários, terceirizações, jornadas de trabalho extenuantes, etc.. A pressão imposta pelas empreiteiras e governo para o cumprimento de metas do PAC já causaram inúmeras mortes e mutilações de trabalhadores. Esses são os reais motivos das greves e revoltas operárias que ocorrem sem cessar nas obras do PAC. E o governo sempre aciona a brutal repressão das polícias militar e civil, Forca Nacional e até mesmo do exército contra os operários.
Como já denunciamos, foi o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que atacando a revolta operária em Jirau declarou: ?Não consideramos essa ação que houve lá como uma ação sindical ou uma ação de mobilização, mas um vandalismo, banditismo, e tem de ser tratado em termos de questão judiciária e policial?.
É inaceitável que operários sejam retirados de suas regiões, levados para a selva amazônica, submetidos a condições análogas a de escravo, humilhados, perseguidos, presos, torturados e levados a julgamento por exercerem o seu legitimo direito de greve.

Exigimos a apresentação dos operários desaparecidos, o fim das perseguições e da repressão

Onze dos operários que estão sendo processados continuam desaparecidos desde a repressão à greve de março/abril de 2012. Apesar de constarem na denúncia do promotor Rodrigo Guimarães como ?recolhidos no (presídio) Pandinha? não foram localizados e existem, inclusive, suspeitas de que alguns deles possam ter sido assassinados pela polícia.
Outros doze operários foram submetidos a torturas e prisão no presídio Urso Branco (anexo Pandinha) por até 112 dias, libertados através de habeas corpus. Um operário consta como foragido.
Até hoje o governo federal e o judiciário não fizeram os devidos esclarecimentos sobre o desaparecimento desses operários ou sobre as denúncias já comprovadas de torturas, cárcere privado, tráfico de pessoas, etc.
O operário Raimundo Braga da Cruz Souza, outro grevista também preso e torturado; julgado, foi absolvido. Mas em outubro do ano passado, quando voltou a Porto Velho para participar de audiência trabalhista foi vítima de armação, novamente preso, acusado de roubo e imediatamente levado para o presídio Pandinha. Mantido preso até 28 de janeiro, obteve liberdade provisória, mas continua sendo vítima de processo criminal.

Fortuna da Camargo Correa feita com o roubo de recursos públicos, favorecimentos dos políticos e o trabalho não pago dos operários

A dona da Camargo Corrêa, Dirce Navarro de Camargo, é tida como a mulher mais rica do Brasil, dona de uma fortuna de R$ 26 BILHÕES e um império que atua em 17 países, explora 58,4 mil pessoas e faturou R$ 5,2 BILHÕES apenas no ano passado.
Já nos primeiros dez anos de existência, a Camargo se beneficiou de contratos públicos para rodovias e estradas de ferro. No governo Juscelino Kubitschek, participou da construção de Brasília. Nos governos militares, a companhia participou de projetos ainda maiores na área de infraestrutura, incluindo o metrô de São Paulo, a rodovia Transamazônica e a ponte Rio-Niterói. Agora toca grandes obras do PAC e também no exterior.
Em 2010, a Camargo Correia esteve entre os maiores doadores a campanhas políticas, tendo colocado, ao todo, R$ 23,5 milhões nos cofres de PT, PMDB e PSDB.
Exigimos o imediato fim das arbitrariedades, o cancelamento do julgamento e arquivamento dos processos contra os trabalhadores que participaram dos movimentos grevistas, assim como a absolvição de todos eles.
Abaixo a criminalização da justa luta dos grevistas de Jirau e demais obras do PAC.
Exigimos o pagamento dos direitos trabalhistas, a devida indenização pelos danos morais e materiais causados aos operários e a melhoria das condições de trabalho.
Exigimos a imediata localização e a responsabilização pela vida e integridade física dos trabalhadores que foram conduzidos à delegacia entre os dias 28 de março e 3 de abril em função do movimento grevista, tidos como presos pelo promotor Rodrigo Leventi e que até hoje não foram encontrados.
Exigimos respeito ao direito de greve dos operários!


Obras do PAC são cativeiro, palco de abusos e repressão contra os operários
Em 3 de fevereiro, os operários da Usina Hidrelétrica de Ferreira Gomes, no Amapá, se rebelaram após um capataz agredir operários no horário do jantar. Pelo menos 12 alojamentos do canteiro de obras foram incendiados. A polícia reprimiu o justo protesto dos operários com truculência e prendeu 20 trabalhadores. Até o momento 16 deles são mantidos encarcerados em um presídio na capital Macapá. Os operários denunciam jornadas extenuantes, condições degradantes de trabalho, baixos salários e péssima alimentação.
Em 11 de fevereiro, foi a vez dos operários da usina hidrelétrica de Colíder, às margens do rio Teles Pires, no Mato Grosso se rebelarem, após a comunicação de que não receberiam as horas extras trabalhadas durante o carnaval. Os trabalhadores paralisaram a obra e foram agredidos pelos seguranças da empresa. Alojamentos, mais de 25 veículos e instalações da empresa foram incendiados. As forças de repressão sitiaram o canteiro de obras e prenderam
três operários acusando-os de ?roubo armado, formação de quadrilha, incêndio e ameaça?.
A Companhia Paranaense de Energia ? Copel, responsável pela obra, fez a abusiva declaração de que mais de mil operários serão demitidos e a permanência das forças de repressão no canteiro de obras.
Outros 5 operários presos na última greve realizada na usina hidrelétrica Belo Monte, no Pará, mantidos encarcerados entre os dias 11/11/12 e 18/01/13 sofrem processos criminais por participação na greve. Recentemente foi comprovada a existência de um cativeiro no interior do canteiro da usina hidrelétrica Belo Monte, em que mulheres sequestradas e traficadas do Sul do país eram obrigadas a se prostituir e viviam em condições subumanas, semelhantes às infligidas aos operários.
Novas denúncias surgem a todo momento. O distrito de Jaci-Paraná, próximo a obra de Jirau em Rondônia, corre o risco de ficar todo debaixo d?água. A situação da classe operária e das populações que vivem nas áreas onde essas grandes obras ocorrem degrada a cada dia. As péssimas condições de trabalho e vida fomentam a justa revolta dos operários.
Operário dispensado após incêndio em Jirau, derruba a justa causa no TST
Um operário armador do Maranhão, entrou na Justiça e derrubou a trama da Camargo Corrêa. Depois do incêndio, a empresa mandou milhares de operários de volta para casa e alegando convocação através da televisão fez demissão em massa por justa causa. A decisão do TST derrota a trama da Camargo e desperta os operários demitidos a seguir este exemplo.
Obras do PAC são cativeiro, palco de abusos e repressão contra os operários