As péssimas condições de trabalho nas obras do PAC continuam ceifando vidas de operários. O desabamento nos arredores de Chupinguaia, em Rondônia, de uma torre da linha de transmissão de energia elétrica das usinas hidrelétricas do Rio Madeira (UHEs de Jirau e Santo Antônio), durante a manhã do dia 15 de fevereiro/2013, causou a morte dos operários CLEBERSON PANTOJA VIANA, 28 anos, e RONEILSON SANTOS CRUZ, 19 anos e graves ferimentos no operário EVERALDO RODRIGUES, 40 anos.
Um operário, testemunha do fato, atribuiu o acidente à falta de itens de segurança e culpa da multinacional TOSHIBA, responsável pela obra da linha de transmissão, que não adotou medidas para evitar acidentes. ?Nós pedimos que eles instalassem gabaritos em cada pé das torres, mas não fizeram isso?, desabafou, explicando que o equipamento prende a estrutura de aço no chão. A testemunha, que é da cidade de Tucurí (PA), também revelou que o ?Y?, que dá mais segurança a quem está em cima da torre, não é fornecido aos operários.
Não são de Rondônia, os operários mortos e feridos neste gravíssimo ?acidente de trabalho?, verdadeiro crime premeditado cometido pela ganância das empreiteiras. Igual a maioria dos operários explorados nas obras do PAC são aliciados em regiões distantes e levados para serem superexplorados nesses canteiros de obras. Roneilson era do município de Rosário, no Maranhão e Cleberson Pantoja, de Baião, no Pará. Everaldo, é do Pará, e esta internado no Hospital Regional, em estado grave.
A morte dos operários e os frequentes acidentes que acontecem é por culpa da pressa das empreiteiras em executar a obra e das exigências do governo em acelerar o PAC para propiciar mais lucros aos grandes grupos econômicos nacionais e estrangeiros. O chamado linhão do Madeira, que foi leiloado em novembro de 2008, tinha previsão original de ser energizado até fevereiro de 2012. São quase 2.400 quilômetros, que liga as usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, até Araraquara, no interior de São Paulo.
A malha dupla do linhão do Madeira tem orçamento de R$ 3,2 bilhões; mas na execução do serviço não são adotadas as mínimas medidas de segurança aos operários e à obra é feita à toque de caixa. O coordenador-geral de infraestrutura de energia elétrica do Ibama, Thomaz Miazaki de Toledo, em entrevista ao jornal Valor (07/01/2013) afirmou que: ?Esses dois linhões (do Madeira e de Tucuruí/Macapá/Manaus) estão entre as nossas prioridades neste início do ano. Trabalhamos para que os dois projetos recebam a licença de operação neste semestre?. Mesmo afirmando que a demora na liberação de licenças é consequência direta da baixa qualidade dos estudos apresentados pelas empresas, considera desnecessário aprimoramentos.
E é assim que o cativeiro e os assassinatos premeditados pela ganancia patronal/governo prossegue nas obras do PAC e também por isso que contra a justa revolta dos trabalhadores é acionada a violência dos Capitães do Mato da atualidade ? PM, Força Nacional e Exército.
Como diria Castro Alves:
?Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro? ou se é verdade, Tanto horror perante os céus?!? e
?Cai, orvalho de sangue do escravo,
Cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha,
Cresce, cresce, vingança feroz!!!?