As barragens agravaram e aceleram os problemas de inundações e desbarrancamento das encostas.
Porto Velho, RO ? Famílias ribeirinhas atingidas diretamente pela construção das usinas do Madeira não concordam que a deterioração das encostas, tão rapidamente, seja culpa estrita da natureza. E de fato elas têm razão. A realidade é que as obras aceleraram o processo de inundações e do desbarrancamento das encostas que são problemas causados naturalmente, mas têm sido acelerados pelos trabalhos em prol das hidrelétricas.
O jornalista Carlos Henrique Ângelo, titular do Blogdocha, demonstrou, através de explicações dos técnicos ligados ao Instituto de Desenvolvimento da Amazônia, que a desculpa das empresas responsáveis pelo processo e a escusa na admissão de responsabilidade nada mais é que uma forma de tentar desviar o foco da culpa do que vem ocorrendo:
Confira um trecho do que disse o jornalista:
? ? As obras aceleraram o processo e as barragens de pedra instaladas pela empreiteira não solucionam o problema, pois deveriam ser antecedidas por um muro de concreto capaz de impedir a infiltração da água, que continua, agora pouco a pouco, solapando as barrancas. A fragilidade do sistema e a gravidade da situação deverão ficar evidenciadas quando ocorrer o chamado repiquete, nos meses de março e abril. Porto Velho corre o risco de sofrer com uma alagação nunca vista por aqui.
A ADVERTÊNCIA é de técnicos ligados ao Instituto de Desenvolvimento da Amazônia ? Indam ? que, embora recomendem cautela na avaliação, por serem estimativas elaboradas com base em estudos preliminares, asseguram que o comportamento do rio ainda não é integralmente conhecido pelas empreiteiras das usinas.
Prova disso é que as estimativas de alagamento que determinaram a indenização de ribeirinhos instalados às margens do Madeira e afluentes, na região da hidrelétrica de Jirau, tiveram que ser revistas para mais. Agricultores indenizados por parte de suas áreas estão agora sendo novamente pagos pelo restante do terreno, pois a inundação será maior que a prevista?.
Os mesmos técnicos alertaram também que Jacy-Paraná poderá estar submersa em breve, sem que a explicação seja histórica ou natural; a Energia Sustentável do Brasil SA (ESBR) construiu a chamada?Nova Mutum? porque a velha será inundada pelo lago. Ali foi também realizada a elevação das pistas da rodovia em média de dez metros. Só que a velha localidade continua seca, enquanto as águas do rio já tomam conta de Jacy Paraná. Quem conhece a área diz que quando a água chegar a subir em Mutum, Jacy Paraná estará totalmente submersa. E não haverá nada de natural, rotineiro ou histórico nisso.
Fonte: Rondoniadinamica