O consórcio ESBR (Energia Sustentável do Brasil) que agrupa as empresas GDF-Suez, Camargo Corrêa, Eletrosul e Chesf, continua privilegiando o aparato repressivo. No dia 18 de fevereiro/2013, vários equipamentos como gravadores, televisores, câmeras fotográficas, impressoras, iPADs, foram entregues, pelo diretor Institucional da Energia Sustentável do Brasil, José Lucio de Arruda Gomes, ao coronel PM Paulo Cesar de Figueiredo, a serem utilizados pelo Centro de Inteligência da Polícia Militar.
De acordo com o diretor da UHE Jirau, José Lucio, esta nova doação foi em atendimento a um pedido feito pelo Comandante da PM e prontamente atendido. Para o coronel PM Cesar, Comandante Geral da PM os equipamentos serão utilizados pelo Centro de Inteligência. O chefe da Casa Civil do governo do Estado, Marco Antonio de Faria, disse que o governo do Estado tem trabalhado com o público/privado em diversas linhas de ação.

Usinas causam caos social e ambiental
Enquanto os moradores do distrito de Jacy-Paraná, a 100 quilômetros da área urbana de Porto Velho, estão sendo duramente penalizados em função da destruição e caos social e ambiental causada pela construção das Usinas Hidrelétricas (UHEs) de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, aumentar a repressão é a única medida executada pelo governo e para isso conta com recurso da ESBR.
O lago da hidrelétrica de Santo Antônio ?inchou? o lençol freático da região e as chuvas típicas do período aumentaram a concentração de água , contaminando os poços artesianos e inviablizando o uso das fossas sépticas. ?A gente cava meio metro e já encontra água?, lamenta o comerciante José Albino. A queixa é geral no vilarejo que mostra os contrastes típicos de lugares que cresceram muito, sem qualquer planejamento para abrigar um grande número de pessoas que entram e saem do lugar todos os dias, em virtude da obra. Nas ruas centrais, asfaltadas e drenadas, pequenas lojas disputam espaço com dezenas de bares. Andando poucas quadras, o visitante se depara com ruas sem pavimentação castigadas pela erosão. A prostituição infantil, o uso de drogas e os roubos tiraram a paz da pequena população que vivia no local antes do advento das usinas.
No último Censo do IBGE, em 2011, foi registrada uma população de aproximadamente 16 mil habitantes em Jacy. Antes da construção, cerca de 5 mil pessoas habitavam o pacato vilarejo, praticamente esquecido depois da desativação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré na década de 1970. ?A população cresceu bastante depois do Censo e há um vai e vem constante de pessoas ?, relata a conselheira Tutelar Célia Rodrigues dos Santos. Os empreendimentos trouxeram os tão sonhados empregos e deram um impulso na economia, mas as consequências negativas das obras preocupam os moradores. ?As usinas tiveram um lado positivo e outro ruim , diz a moradora Flor, que nasceu no distrito e se preocupa com o futuro do local.
Jacy-Paraná sofre impactos dos dois empreendimentos. O lago da UHE de Santo Antônio desfigurou a linda paisagem do rio Jacy-Paraná. A praia que movimentava a cidade durante festivais realizados todos os anos desapareceu. Como compensação, a Santo Antônio Energia construiu uma praia artificial, que recebe o lixo trazido pela água durante o período de estiagem, segundo moradores. Já a UHE de Jirau emprega milhares de trabalhadores, grande parte homens desacompanhados das famílias, que fizeram disparar o número de bares e disseminaram o uso de drogas e a prostituição, principalmente de adolescentes.

Fonte: Diário da Amazônia ? dia 18/02/2013 e Rondoniaovivo