O TEMPO LIVRE INDUSTRIALIZADO As longas jornadas de trabalho são cada vez mais aceitas na sociedade moderna, criando uma dependência do trabalhador. Caprichosamente articulados, férias e feriados nas empresas têm um intuito certo: deixar os cidadãos apáticos,culpados e cada vez mais ávidos em trabalhar Para Marx, a valorização do mundo das coisas torna proporcionalmente inversa a valorização do homem, que torna-se mais pobre quanto mais riquezas produz. A cultura ocidental tradicionalmente estigmatizou o trabalho como uma atividade degradante para o ser humano, considerando-a indigna de homens livres. Nessa conjuntura, o trabalho era imputado como uma tortura; aliás, a análise etimológica da palavra trabalho indica que esta se origina do termo latino tripalium, um instrumento de suplício. Todavia, essa perspectiva negativa em relação ao trabalho só encontra significação na estrutura laboral regida pela relação de dominação entre senhor e submisso, sendo incompatível com a experiência de trabalho na qual o ser humano adquire a capacidade de se realizar existencialmente. Por conseguinte, o materialismo dialético de Marx (1818-1883) explica com precisão esse processo: "Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano, com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu próprio câmbio material como uma de suas funções. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo - braços e pernas, cabeças e mãos - a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza"1. Entretanto, as relações sociais de trabalho se caracterizaram historicamente pela desapropriação dos meios de produção das mãos daquele que representava efetivamente o processo construtivo de criação, o trabalhador, que se encontrou na necessidade de vender sua força de trabalho ao detentor dos meios de produção que, arbitrariamente, estabeleceu uma relação injusta na distribuição das riquezas para com seu subordinado, justificando os contundentes versos da Internacional Socialista: "Abomináveis na grandeza/ Os reis da mina e da fornalha/ Edificaram a riqueza/ Sobre o suor de quem trabalha/ Todo o produto de quem sua/ A corja rica o recolheu/ Querendo que ela o restitua/ O povo só quer o que é seu". HOJE, O EMPREGO EXIGE A DILUIÇÃO DAS FRONTEIRAS ENTRE VIDA PARA O TRABALHO E O TEMPO DOMICILIAR, CRIANDO-SE ASSIM INDIVÍDUOS DEDICADOS EXAUSTIVAMENTE À EMPRESA. No advento da modernidade, não obstante o seu propalado progresso científico, ao invés de ocorrer efetivamente a superação dessas contradições sociais, elas se ampliaram. O desenvolvimento da tecnologia capitalista conduziu ao paulatino decréscimo da capacidade do trabalhador se realizar como ser humano em suas atividades laborais, reconhecendo--se naquilo que ele faz em sua jornada. A divisão técnica da produção e a sua crescente mecanização geram na subjetividade do trabalhador uma contínua repulsa pelo seu objeto profissional, tornando sua atividade maçante, incapaz de lhe proporcionar genuína satisfação existencial. O trabalho regido pela ordem capitalista em sua frieza tecnocrática se torna ape¬nas um recurso para que o sujeito possa obter o ganho mínimo para a manutenção de sua existência, em verdade, uma subvida. O filósofo Paul Lafargue (1842-1911) considera que "à medida que a máquina se aperfeiçoa e dispersa o trabalho do homem com uma rapidez e uma perfeição que não param de crescer, o operá¬rio, em vez de prolongar o seu repouso proporcionalmente, redobra seu esforço, como se quisesse rivalizar com a máquina. Ó concorrência absurda e mortal!"2. VIDA PARA O TRABALHO O preço a ser pago pela manutenção de um razoável padrão de vida na sociedade plutocrática é certamente doloroso: o empreendedorismo capitalista exige a progressiva diluição das fronteiras entre a vida dedicada ao trabalho e o tempo domiciliar, criando-se assim os indivíduos conhecidos em nossa estrutura administrativa como workaholics, dedicados exaustivamente pela causa de sua empresa, que se torna a sanguessuga da vitalidade humana, descartando o indivíduo tão logo ele é imputado como desnecessário pelos mandatários financeiros. Para o filósofo alemão Robert Kurz (1943-2012), "a submissão do conteúdo sensível do trabalho e das necessidades à autorreflexão cega do dinheiro é de caráter monstruoso. Essa monstruosidade manifesta--se, durante a evolução da modernidade, em escala historicamente crescente, nas crises em que enormes quantidades de recursos humanos e materiais ficaram paralisadas por não poderem mais cumprir, por motivos incompreensíveis, aquela finalidade absoluta de transformar trabalho vivo em dinheiro?. O metabolismo e a vida interior do sujeito são anulados pelo sucesso econômico da empresa, que prospera de maneira inversamente proporcional na medida em que declina a existência do trabalhador, reduzido a uma con¬dição de mera coisa, completamente desumanizado, gerando assim a reifi-cação da consciência. Conforme argu¬menta Marx, "o trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O tra¬balhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto mais mercadorias cria. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. O trabalho não produz somente merca¬dorias; ele produz a si mesmo e ao tra¬balhador como uma mercadoria, e isto na medida em que produz, de fato, mer¬cadorias em geral. Esse fato nada mais exprime, senão: o objeto que o trabalho produz, o seu produto, se lhe defronta como um ser estranho, como um poder independente do produtor"4. Nesse ponto da argumentação, pode¬mos fazer uma ousada relação entre os mecanismos capitalistas de dominação das forças produtivas do trabalhador e os paradigmas da sociedade disciplinar conforme as análises de Michel Foucault (1926-1984): a vigilância torna-se um operador económico decisivo, na medi¬da em que é ao mesmo tempo uma peça interna no aparelho de produção e uma engrenagem do poder disciplinar. A dis¬ciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos dóceis. A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos económicos de utilidade) e diminuem essas mesmas forças em termos políticos de obediência5. Nessas condições, a so¬ciedade disciplinar encontra seu análogo capitalista na fragmentação do trabalho, ao proporcionar a educação dos corpos dos operários submetidos ao regime ma¬quinal da divisão científica da linha de produção que impõe a especialização má¬xima do mínimo. Para que ocorra essa organização labo¬ral que desagrega a vitalidade criadora do trabalhador, fazem-se necessários o disci-plinamento da sua força produtiva e a coer¬ção moral, económica e mesmo física. Tais aparatos normativos se sustentam porque nenhum trabalhador livre aceitaria o fato de laborar além do necessário para a ma¬nutenção saudável de sua vida; nenhum trabalhador livre aceitaria condições pe¬nosas e aviltantes no processo produtivo como é constatado na civilização capi¬talista, destituído de sentido existencial em uma realidade humanamente diluída, alienada de suas próprias forças vitais. O filósofo austro-francês André Gorz (1923-2007) afirma ironicamente: "Acolherei as inovações técnicas que aumentam o ren¬dimento de meu trabalho mesmo se elas o tecnizam, submetem-no a rígidos im¬perativos, fazem-no assemelhar-se a um trabalho rude. Aliás, não tenho escolha: se não acompanhar a evolução das técni¬cas (ou adaptar-me a elas), logo mais não poderei viver da venda de meus produtos: não serei mais competitivo"6. Percebe-se, assim, que o primeiro momento desse pro¬cesso é sempre a subjugação, na sequência transformada em subordinação, até chegar a uma situação de consentimento, isto é, de naturalização da divisão social do tra¬balho na estruturação social hierarquizada e, por fim, do entendimento alienado de que a sociedade assim organizada é a úni¬ca sociedade possível de acontecer. Herbert Marcuse (1898-1979) considera que "hoje, a dominação se perpetua e se estende não apenas através da tecnologia, mas como tecnologia, e esta garante a grande legi timação do crescente poder político que absorve todas as esferas da Cultura. Nes¬se universo, a tecnologia também garante a grande racionalização da não liberdade do homem e demonstra a impossibilidade 'técnica' de a criatura ser autónoma, de de¬terminar a sua própria vida"7. Contudo, não seria também o dis¬positivo ideológico do tempo livre uma emanação sutil dessa estrutura social normativa aplicada a todos os grandes estamentos disciplinares? Com efeito, ao invés de promover a conscientização po¬lítica dos indivíduos, o usufruto do tempo livre tal como operado pelo poder capita¬lista favorece a formação de corpos dóceis, apáticos, despolitizados. O tempo livre se torna um mecanismo narcótico, no qual o indivíduo adquire a capacidade moral de suportar interiormente as condições alienantes dos seus processos laborais, na expectativa de, após sua contribuição exaustiva nas atividades de trabalho, po¬der usufruir com mais paixão seus mo¬mentos de liberdade de tempo, ainda que destinados ao fazer nada ou aos atos de consumo alienado. Conforme salientam Adorno e Horkheimer: "A diversão é o prolongamento do trabalho no capita¬lismo tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho me¬canizado, para se pôr de novo em condi¬ções de enfrentá-lo"8. TEMPO LIVRE COMERCIAL Podemos então afirmar que a legitima¬ção do tempo livre como instrumento que propicia a desmobilização da capacidade emancipadora do ser humano encontra uma das suas manifestações no âmbito dos meios de comunicação de massa, pois são estes que despejam na coletividade social os géneros produzidos pela socie¬dade de consumo através de um formato padronizado, de fácil assimilação. A pre tensa liberdade do indivíduo é em verda¬de conduzida de forma heterônoma pelo comercialismo social. O filósofo e eco¬nomista francês Serge Latouche (1940) afirma que "a maior parte do tempo livre não leva a uma reapropriação da existên¬cia e não constitui uma escapada para fora do modelo mercantil dominante. Geralmente o tempo é empregado em atividades também mercantis que não permitem que o consumidor empreenda o caminho da autoprodução. Ele é con¬duzido para uma via paralela. O tempo livre se profissionaliza e se industrializa cada vez mais".9 Quando uma empresa legitima os descansos nos intervalos das refeições a sesta, isso ocorre não por uma preocupação ética com o bem-- estar do trabalhador, mas pela razão cal¬culista desenvolvida pelo conhecimento técnico do metabolismo humano, pois o organismo necessita de um momento de repouso para a digestão satisfatória dos alimentos; desse modo, constatou--se cientificamente que a produtividade perdia qualidade após os períodos das refeições, tornando-se urgente a conces¬são da sesta que, nessas condições, se tor¬na um instrumento que amplia o poder de controle dos detentores dos meios de produção sobre os trabalhadores, aparen¬temente beneficiados. Os feriados se tornam instrumen¬tos de desmobilização política, inclusive sendo utilizado pelos governantes para que os indivíduos permaneçam no esta¬do de alienação e aproveitem de forma sôfrega os prazeres da vida. O crítico social estadunidense Christopher Lasch (1932-1994) argumenta que "a sociedade burguesa sempre manteve a promessa de que as satisfações privadas compensarão o fato de que o trabalho tenha sido redu¬zido a uma rotina, mas ao mesmo tempo solapa esse compromisso organizando o lazer como uma indústria".10 Os feriados tornam-se também motivo para que uma grande massa humana possa realizar a sua momentânea fuga da cidade repleta de problemas e retorne mais feliz para a mesma. Com efeito, o cotidiano da vida urbana gera exaustão, e a oportunidade de escapar dessa rotina frequentando es¬paços insólitos faz com que o indivíduo consiga renovar seus votos de adesão ao mundo caótico no qual ele vive. Na conjuntura capitalista, o lazer tem o sentido crucial de descanso ou inter¬valo entre trabalhos para restabelecer as energias necessárias à aplicação por mais atividade produtiva, legitimando-se assim o lazer como uma finalidade que promo¬ve o fortalecimento das relações laborais ao invés de proporcionar a superação crítica destas. Paul Lafargue pondera que "diante dessa dupla loucura de tra¬balhadores, de se matarem de trabalhar e de vegetarem na abstinência, o grande problema da produção capitalista já não é encontrar produtores e multiplicar as suas funções, mas descobrir consumido¬res, excitar os seus apetites e criar-lhes necessidades artificiais"11. FESTA E ALIENAÇÃO É nos períodos festivos que as massas são mais prejudicadas pelas arbitrarieda¬des dos políticos inescrupulosos, pois es¬tas, anestesiadas pelo gozo do tempo livre e sua ilusão de liberdade de ação, deixam de agir criticamente em nome da preser¬vação dos seus próprios interesses sociais, para que possam aproveitar os momentos disponíveis de lazer. A mentalidade ta¬canha do sujeito acomodado rechaçaria qualquer agitador social que porventura se esforçasse a mobilizar o povo contra os desmandos políticos em feriados ou dias livres, pois tal ato suspenderia a pos¬sibilidade de se usufruir do momento de emancipação individual perante todos os compromissos mais sérios da vida dedica¬da ao trabalho. Todo ato de reflexão e ruptura com a dinâmica sôfrega de aproveitamento do tempo é vilipendiado pela moral capita¬lista, que exige a automação absoluta da personalidade do ser humano, de maneira que este dedique todas as suas forças vi¬tais em prol do crescimento económico do sistema estabelecido. Talvez tal fator expli¬que a desvalorização da vida contempla¬tiva na civilização industrial em prol da atividade total, pois "tempo é dinheiro". Na curiosa associação entre regime ca¬pitalista e o calvinismo axiologicamente DISTORCIDO, a oração do fiel vale menos do que sua dedicação constante ao trabalho, condição maior para que o indivíduo ca¬racteristicamente laborioso se torne me¬recedor da graça divina da salvação, con¬forme exemplarmente exposto por Max Weber (1864-1920): "O tempo é infinita¬mente valioso porque cada hora perdida é trabalho subtraído ao serviço da glória de Deus"12. O mundo das mercadorias e a situação do trabalho alienante embotam a consciência do trabalhador, naturali-zando-se como destinação metafísica do homem, desviando-o do conhecimento da própria felicidade. Paul Lafargue afir¬ma que "a moral capitalista, lastimável paródia da moral cristã, lança o anátema sobre o corpo do trabalhador, toma como ideal reduzir o produtor ao mínimo mais restrito de necessidades, suprimir as suas alegrias e as suas paixões e condená-lo ao papel de máquina gerando trabalho sem trégua nem piedade"13. Na conjuntura atual, os feriados se prestam a desagregar o tecido social, criando um hiato interpessoal. A solu¬ção consciente para a emancipação so¬cial não se encontraria na supressão dos feriados, mas na politização dos mes¬mos, favorecendo a mobilização popular para causas de genuíno interesse coleti-vo. Em geral, somente os dias livres es¬tabelecidos pela conveniência dos gover¬nantes conseguem mobilizar as massas para ações coletivas de protesto político, circunstância que evidencia a he-teronomia latente nesses eventos, pois os mesmos não se ocasionam através da consciência orgânica e espontânea das massas, mas ocor¬rem graças aos apelos midiáticos dos poderes estabelecidos, que po¬dem assim gerar comoção públi¬ca e influenciar razoavelmente os rumos da agenda política. Para o filósofo italiano Maurizio Lazza-rato, "o capitalismo desenvolve, desde o início, uma outra forma de poder que não a da soberania, do direito, das instituições demo¬cráticas, um poder que está sem¬pre em construção, um poder em ação. Ao lado e abaixo das leis e das instituições democráticas, ao lado e embaixo das constituições, assembleias deliberativas, mas que se exerce de maneira difusa e cotidiana, que constrói, desfaz, fissura, passa através das relações globais e das hierarquias gerais, para, ao mesmo tempo, transfor¬má-las e confirmá-las"14. O trabalho será sempre um elemento cujo papel mediador é imprescindível da sociedade e das relações humanas; contudo, o trabalho sob os ditames da pro¬dução capitalista porta consigo a impossibilidade de suplantação da alienação, pois o seu controle é determinado pela necessidade de reprodução privada da apropria¬ção do trabalho alheio, e não por aquilo que se poderia considerar necessidade humana enraizada na reprodução social emancipada da posse privada. É impossível o ser humano alcançar um estado de felicidade genuína em uma estrutura de poder cujas bases ideológicas se sustentam pela exploração da vida do trabalhador, subjugado inapelavelmente aos ditames do detentor dos meios de produção que prospera material- mente através da espoliação da energia orgânica de uma massa humana considerada descartável. Não existe autêntica livre iniciativa em uma estrutura social cujas bases sociais e económicas já se encontram de antemão regidas por critérios desiguais. Talvez a pior servidão voluntária que exista seja aquela do indivíduo que, mesmo sofrendo cotidianamente as agruras da atividade laboral, considera que essa é a única possibilidade de obtenção de bem-estar em sua vida, defendendo radicalmente em suas relações interpessoais o discurso dos seus opressores capitalistas. Afinal, para o indivíduo satisfeito com o padrão de mediocridade que lhe é imposto pelas estruturas hegemónicas do poder, obtendo o seu conforto e diversão diários, nada mais é necessário, ainda que uma horda de miseráveis sofra ao seu redor. ÓCIO CRIATIVO: ESTUDO, TRABALHO E TEMPO LIVRE "Na Atenas de Péricles havia quase mais feriado que dias úteis", afirma o sociólogo italiano Domenico de Masi em sua obra O futuro do trabalhoK Nela, de Masi explica deta¬lhadamente todas as celebrações, cultos e concursos líricos e musicais daquela civilização grega antiga. Mas completa: "Tratava-se de uma reflexão alegre e coral, de cujo húmus se originou uma das maiores civilizações dos últimos tem¬pos. Tratava-se do ócio elevado à condição de arte". No seu estudo sobre o Ócio Criativo, de Masi diz que a sociedade pós-industrial precisa buscar três elementos para alcançar tal condição: comércio, estudo e raciocínio lógico. Assim, segundo ele, para a atividade criativa, estudo, trabalho e tem¬po livre precisam se confundir, "...o homem, tendo transfe¬rido às máquinas o trabalho cansativo, enfadonho, nocivo e banal, poderá se dar ao luxo de atividades criativas em que estudo, trabalho e tempo livre finalmente conviverão". O que ocorre hoje, no entanto, é que os trabalhadores, em raros momentos de descanso, o desfrutam carregado de culpa, quando, até por essa culpa, não levam trabalho para a casa nos finais de semana e períodos que não es¬tão na empresa ou no escritório. As férias e períodos de feriado para os trabalhadores da sociedade pós-moderna, segundo de Masi, representam uma "improdutividade ocupacional" ao qual os trabalhadores são forçados. SESTA PARA AUMENTAR A PRODUTIVIDADE A prática r)a sesta tem sido valorizada pelas empresas nos últimos anos. Já muito difundida na Espanha, onde até o comércio fecha no período pós-almoço, dormir à tarde também é um costume em países como China, Vietnã, Grécia, Croácia, entre outros e tem como princi¬pal motivo o calor e a ingestão de comidas pesadas. Ape¬sar de ser algo já estimulado por personalidades como Bill Clinton, Napoleão Bonaparte, Einstein e Churchill, esta não era uma prática vista com bons olhos. Hoje em dia, porém, estudos científicos provaram que a produtividade dos trabalhadores que descansam depois do al¬moço cerca de 20 minutos pode aumentar em até 35% e seu estado de atenção, até 54% (estudo feito pela Nasa em pilotos). Assim, empresas utilizaram-se desses dados para criarem espaços destinados ao descanso dos fun¬cionários. Algumas empresas como a Toyota tornaram a prática até obrigatória pensando também na economia que faria no período, já que as luzes seriam apagadas. A propaganda, porém, é da preocupação com o bem-estar moral e físico do colaborador. *** Autor: RENATO NUNES BITTENCOURT É DOUTOR EM FILOSOFIA PELO PPGF-UFRJ, PROFESSOR DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA FACULDADE CCAA, DA FACULDADE FLAMA E DO DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA DO COLÉGIO PEDRO II. TAMBÉM É MEMBRO DO GRUPO DE PESQUISA SPINOZA & NIETZSCHE Este artigo foi publicado originalmente na Revista Filosofia, Ciência e Vida, Ano VII, Nº. 79, fevereiro de 2013, Editora Escala.