Anticapitalismo é um termo tradicionalmente utilizado para designar o conjunto das correntes de pensamento e ação que se opõem ao capitalismo, normalmente entendido como o sistema baseado na propriedade privada, na livre concorrência de mercado e no trabalho assalariado. Assim, são considerados anticapitalistas, no sentido tradicional, todas as correntes do socialismo, do comunismo e do anarquismo.

Mais recentemente, o termo anticapitalista foi também utilizado para designar o esforço de convergência das diversas vertentes do movimento social: o movimento ambientalista, o movimento feminista, o movimento operário etc. Este sentido se difundiu principalmente no final dos anos 1990 com o movimento de resitência global que buscava reunir esses movimentos que haviam se desenvolvido mais ou menos separadamente a partir dos anos 1960. A utilização do termo anticapitalista neste sentido era um pouco polêmica porque, por um lado, buscava apenas mostrar que os diversos problemas que os movimentos enfrentavam faziam sistema, ou seja, que o desrespeito ao meio ambiente, o sexismo, a hierarquia e a exploração do trabalho estavam arranjados num só sistema - no entanto, não havia consenso entre os movimentos de que o que dava sistematicidade a esses problemas era o capitalismo entendido como sistema econômico. Por isso, nem todos os movimentos acreditavam que o termo anticapitalista era o mais adequado para indicar a convergência.

O Centro de Mídia Independente (CMI) assumiu a denominação de anticapitalista tanto no sentido tradicional (de oposição a propriedade privada, ao sistema de mercado e ao trabalho assalariado) como no sentido mais recente (que remete a convergência dos movimentos). Isso significa que os voluntários do CMI se identificam com o anticapitalismo nas duas acepções.

Isso não quer dizer, no entanto, que o CMI se feche a publicações que não sejam estritamente anticapitalistas. A inclusão do termo anticapitalismo na nossa Política Editorial tem dois motivos:

- Em primeiro lugar, o CMI acredita que ao tornar clara sua orientação anticapitalista, ele contribui para uma comunicação que não se propõe neutra ou objetiva, mas que acredita que a maneira mais honesta de contribuir para a informação do público é deixar claro o ponto-de-vista de onde se fala;

- Em segundo lugar, ao assumir a denominação anticapitalista, o CMI quer deixar mais claro que o espaço de publicação aberta não é um espaço destinado àqueles que professam e defendem posições políticas contrárias às do CMI, ou seja, pró-capitalistas. Isso, no entanto, não impede que grupos com posições políticas intermediárias ou sem posição política definida publiquem livremente, desde que o conteúdo não seja pró-capitalista ou que não viole os outros ítens da Política Editorial (que proíbe racismo, sexismo, ofensas pessoais, propaganda comercial ou partidária, pregação religiosa, entre outras coisas).