O coletivo de mídia independente de Goiânia nasceu em abril de 2002, quando alguns/as colaboradores/as e voluntários/as da página do CMI Brasil na cidade convocaram uma reunião para discutir a formação e o desenvolvimento do projeto. Esta iniciativa se deu principalmente após terem sido feitos contatos na lista do CMI Brasil, no chat da rede e encontros com voluntários de outras partes no Fórum Social Mundial daquele ano.

Nestes primeiros encontros, foram debatidos a importância de se construir uma mídia realmente independente e que tivesse um caráter popular, tendo uma relação horizontal e não-hierárquica entre seus integrantes.

No dia primeiro de maio, o grupo organizou e realizou sua primeira cobertura. Uma fábrica de óleo de girassol no município de Trindade foi ocupada pelo Movimento de Luta Socialista (MLS) e pelo Movimento de Libertação dos Sem Terra de Luta (MLST de Luta). No mesmo dia, outros voluntários estiveram em eventos que lembravam o dia do trabalhador na cidade, como na Oficina de discussão e mostra de vídeo realizadas pela Sociedade de Luta Popular (Solup), no bairro Goiânia Viva. Esse pode ser considerado o debut do incipiente coletivo de mídia independente na cidade de Goiânia, uma proposta nova que logo convergeria às atividades globais e nacionais do projeto Indymedia.

Com atividades encaminhadas, organização interna e reuniões periódicas, faltavam apenas alguns passos para o "Pró-Coletivo" ser incorporado de vez à rede CMI Brasil. O CMI Goiânia foi o primeiro coletivo a passar pelo processo de entrada de novos coletivos no CMI Brasil. Para isso ser efetivado de vez, precisaria contar com a aprovação dos demais coletivos locais - São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Fortaleza. Isso aconteceu no dia 16 de junho, quando o último coletivo a aprovar a entrada do CMI Goiânia na rede enviou a ata de sua reunião para a lista do CMI Brasil. A partir de então, o Indymedia Brasil passava a contar com seis coletivos, sendo que depois se incorporaram à rede outros tantos - Salvador, Brasília, Florianópolis, Campinas, Caxias do Sul e Ourinhos, além dos que estão ou estiveram um tempo em processo de formação.

Atividades

Dentre as várias atividades realizadas pelo coletivo, podemos destacar a participação em organizações de transmissões de Rádios Livres e Comunitárias, em destaque a Rádio Grilo, a Rádio Magnífica na UFG, e a criação temporária da Rede Arrastão de Rádios Livres e Comunitárias, em parceria com movimentos sociais, militantes e ativistas de diversas áreas de atuação.

Ainda na área de radiodifusão, o CMI Goiânia participou ativamente das atividades do Dia Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação, 17 de outubro, formando uma coalizão de movimentos, indivíduos e coletivos de rádio para realizar transmissões em forma de ação direta e em protesto contra a repressão promovida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pela Polícia Federal.

O coletivo, ao longo de sua história, produziu diversos informativos impressos:

  • CMI na Rua, um jornal-poste que geralmente se centra em um determinado tema e contém informações sobre como participar do CMI;
    Número 1 - Soltem nossos presos - América diz não a ALCA
    Número 3 - Violência policial aumenta em todo o país
    Número 4 - Conflito Agrario.
    Número 5 - SOLUP - Sociedade de Luta Popular, uma história de luta e resistência
    Número 6 - Culturart' - A casa é nossa Casa
    Número 7 - Paradas celebram a Diversidade Sexual
    Número 8 - Estudantes dizem não aos abusos do Setransp.
    Número 9 - Ocupação dos Trilhos: Será o fim da linha?
    Número 10 - Reforma Universitária
    Número 11 - Sonho Real
    Número 12 - CONUNE em Goiânia!
    Número 13 - Barragem, Massacre do Cerrado
    Número 14 - Um Ano de Massacre do Sonho Real
    Número 15 - Voto Nulo 2006
    Número 16 - Oaxaca Livre

    Folha Livre é um jornal aperiódico editado pelo coletivo de Goiânia do Centro de Mídia Independente. Ele é em formato tablóide e está disponível para ser baixado e lido em formato PDF e PNG.

    Número 1 - 02/2005
    Número 2 - 03/2005
    Número 3 - 06/2005
    EcoInfo, um fanzine de temática ecológica;
  • Informativo da Campanha contra o voto em Goiânia, lançado pelo Fórum de Lutas Populares, composto pelo CMI Goiânia, Movimento Autogestionário e União Popular;
  • Manifesto Rádios Livres e Comunitárias, que continha denúncias contra a repressão à liberdade de expressão e tornava público a condenação do radiodifusor comunitário Clóves Rocha, o Coalhada, que teve pena perpretada pelo "crime de radiodifusão clandestina".

O CMI Goiânia participa de uma série de encontros e fóruns na cidade e no país. Contribui com debates, oficinas de produção de mídia, mostras de vídeo, já teve participação ativa na formação e nas atividades de movimentos populares como o Culturart, no Parque Atheneu.

O CMI Goiânia também participou todos os anos, desde a sua fundação, das atividades de luta e defesa da diversidade sexual na cidade, como as marchas do "Orgulho Gay" e debates organizados por grupos como o Ipê Rosa, Oxumaré e Associação Goiana de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (AGLBT).

Outra grande experiência para o grupo foi o acompanhamento e a cobertura da Marcha Nacional pela Reforma Agrária, ocorrida em 2005, organizada pela Via Campesina, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A marcha saiu de Goiânia no dia 2 de maio de 2005 e chegou em Brasília no dia 17 do mesmo mês, com mais de 12 mil integrantes.

É justamente na luta pelo direito de acesso à terra e à moradia que o CMI Goiânia teve uma de suas experiências mais marcantes. O coletivo já havia participado e acompanhado de perto ocupações na cidade, no Setor dos Palmares e no Conjunto Vera Cruz, mas com certeza a que esteve mais atuante e que tomou maiores proporções foi a ocupação Sonho Real, no Parque Oeste Industrial.

Participe!

O CMI Goiânia mantém suas reuniões abertas à participação de qualquer pessoa que queira conhecer o projeto e que, concordando com os princípios básicos de união estabelecidos, resolva participar ativamente do coletivo.

Para mais informações escreva para o CMI Goiânia ou participe da lista de discussão.