Leia matéria de voluntária do CMI Brasil na Bolívia

Nesta última terça-feira, o Comitê Cívico e a Uniao da Juventude Crucenista, de oposiçao ao governo do Movimento ao Socialismo (MAS), intensificaram os confrontos na regiao Oriental da Bolívia, ocupando estradas, aeroportos, orgãos públicos federais e estações de rádio e TV.

Sob o pretexto de reivindicação do repasse de verbas dos ingressos procedentes de impostos de hidrocarbonetos (IDH e IEHD) reduzidos desde janeiro pelo Executivo para o aumento da previdência dos maiores de 60 anos, estes grupos abriram uma onda de agressões a campesinos e masistas sem precedentes nas regioes de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.

Prefeitos e cívicos desta regiao conhecida por ?media luna? -onde se concentram as melhores terras e as elites e latifundiários bolivianos-, vem organizando oposição desde que Evo Morales tomou posse da presidência, no que denominam de Movimento Cívico e Autonômico. A reivindicação das autonomias departamentais tem por objetivo a nao aderência destes departamentos a Nova Constituinte e as atuais políticas de terras do governo central, que limitam a extensao das propriedades.

Até o momento, já chegam a 16 o número de campesinos assassinados por gente da prefeitura. Ontem, sexta-feira, foi declarado estado de sítio em Pando e tropas militares se deslocam para a regiao para tentar restabelecer o controle na cidade de Cobija.

Apesar das claras ameaças e agressoes por parte de grupos racistas e fascistas, profundizando históricos conflitos étnico-regionais que se desenvolvem neste país, meios de comunicaçao nacionais e internacionais tratam de confundir a população, responsabilizando as vítimas e anunciando a ?queda da democracia?, numa clara tentativa de desestabilização do governo Evo Morales, a frente do proceso de transformação que vem sendo construído pela maioria da população campesina e indígena boliviana.