Globalização e Exclusão

A globalização, é uma realidade mais que inevitável: Globalizamos os carros, as roupas, a música, o idioma, as empresas, a cultura! A unificação dos processos proporciona a sociedade a agilidade das informações, a troca de tecnologias, a internacionalização da economia, o avanço dos meios de transportes, a difusão do modelo de mercado capitalista, mas por outro lado impõe regras e padrões definindo qual será a ordem econômica da vez.

Este mundo moderno, enganosamente homogêneo é o berço para muitos cidadãos que vivem abaixo da linha de pobreza, as desigualdades entre as nações e classes sociais são berrantes, são milhões os brasileiros que vivem à margem da sociedade, excluídos, subempregados e vitimados pela miséria. Infelizmente, essa prática planetária não contribui muito para uma melhor condição de vida aos seres humanos, e muito menos para a construção dos alicerces de uma sociedade mais socialmente igualitária.

A globalização socialmente vista, apresenta sinais de ser cada vez menos inclusiva, aumentando a distância entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos quanto a distribuição de riqueza, renda e emprego.

O etnocentrismo esta cada vez mais presente. Aquela idéia de que meu país é melhor, minha cultura é mais inteligente, minha moeda é mais forte tem proporcionado a exclusão de povos que não puderam se unir ao modelo de vida capitalista (aliás, o modo de vida capitalista só sobrevive se houver exclusão).

A repressão das infrações à ordem econômica nos tempos atuais, é o retrato de que o mundo não está mais tolerante às particularidades, e que aqueles que não se enquadrarem no sistema serão fortemente punidos com privações, boicotes e ataques das mais diversas formas.

A ordem econômica é mantida pelos países de maior triunfo financeiro, que por serem potências, tem a possibilidade de estabelecer o que é bom ou não para o mercado mundial, o perigoso disso tudo é que o que é interessante para os países de primeiro mundo, nem sempre ou em sua maioria não são interessantes para os países em desenvolvimento. A abertura da economia (que é um processo irremediável) gera índices de desemprego cada vez maiores, distanciando ainda mais as classes sociais. A modernização das máquinas, processos, tecnologias ameaçam a força de trabalho humana.

Os países que não acompanham as constantes mudanças do mercado financeiro, não conseguindo seguir a ordem econômica imposta são reprimidos, marginaliza-dos e excluídos.

Hoje, os países desenvolvidos, para evitar prejuízos financeiros, estão agindo com protecionismo aos seus produtos, impedindo a entrada de material estrangeiro em seus territórios, o mais trágico é que os países subdesenvolvidos por mais medidas que tentem tomar estão sendo vencidos pelas nações financeiramente soberanas - como sempre. Desta forma, observamos que a globalização "é para quem pode e não para quem quer", pois sempre que os países de maior poderio sentirem-se ameaçados, imediatamente fecharão suas portas para o livre comércio, ao passo que os países economicamente fracos não têm poder suficiente para fechar suas portas ao comércio internacional. Esta claro que os que se atreverem a recusar à ordem econômica serão cruelmente massacrados, não necessariamente com bombas mas com bloqueios das mais variadas maneiras.

O mundo hoje esta cego para suas riquezas. O tesouro que carregamos está na diversidade dos povos, da cultura, da moeda, da música, das roupas. A criatividade positiva existe quando aos homens é dada a liberdade de ação, a possibilidade de criação para a melhoria dos processos que envolvem a sua vida, quando o homem é privado desta liberdade, os conflitos vêm à tona, os problemas de relacionamento se tornam uma constante, a lutas acontecem para alcançar os direitos que pertencem ao homem antes mesmo de seu nascimento. É necessário atentar-se que atrás de dólares e euros existem pessoas.

Repreender aos que não seguem à ordem econômica é uma violação dos direitos de livre arbítrio, um desrespeito a vontade e uma agressão a liberdade dos povos.
Devemos ter sempre em foco que somos globalizados porque vivemos no mesmo mundo, mas somos diferentes e buscamos a variedade na cultura, nos costumes e na economia porque o mundo que compartilhamos tem espaço suficiente para abraçar as mais diferenciadas maneiras de viver.

Autora:
Adriana Pereira Silva
Estudante do 3º ano de Psicologia