| Fórum Social Mundial: Uma Crônica Policial Por Chico Silva 29/01/2003 às 06:59 nota sobre a ação truculenta da polícia do Sr.Governador do Rio Grande do Sul, ocorrida na noite de 27 de janeiro de 2003, em Porto Alegre , durante o Fórum Social Mundial. Na tarde do dia 28 de janeiro, dia do encerramento oficial do Fórum Social Mundial 2003, uma comitiva composta por estudantes de comunicação social e cinema do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de colaboradores do Centro de Mídia Independente, seguiram da Rádio Comunitária do Acampamento Intercontinental da Juventude até o Palácio do Governo do Estado do RS, a fim de buscar esclarecimentos sobre a repressão policial ocorrida na noite anterior na área externa ao Acampamento, próximo ao Anfiteatro Pôr-do-Sol, principal palco de shows do evento.
Segundo a Assessoria de Imprensa do Palácio, ninguém sabia do sinistro ocorrido. Seguimos para a Secretaria de Justiça, onde buscamos infomações sobre o desaparecimento de um menor, de 16 anos, que fora preso durante a represália policial , e encaminhado ao décimo andar do Fórum de Justiça, de onde por sua vez foi mandado para local não divulgado e detido por uma noite, sob a acusação de "atos obscenos". Segundo uma funcionária do Fórum de Justiça,o jovem foi solto ontem de manhã e encaminhado para sua delegação, do Rio de Janeiro , que partia no ônibus da UERJ. Soubemos também que o menor é estudante de uma escola técnica da área da Grande Tijuca.Ainda não sabemos se este jovem sofreu algum tipo de mal trato enquanto esteve detido.
O curioso dessa história toda é que ninguém da Coordenação de Comunicação do Acampemento se dispôs a noticiar o desaparecimento deste jovem, e mais sinistro ainda é saber que os jornais como Zero Hora e Correio do Povo também não deram atenção a este episódio.
>>Denuncie abusos na política editorial >>Complemente esta matéria Não me impressiona nada a Zero Hora não ter dado muita atenção sobre este terrível ato de violência policial. Pois este jornal é um veiculo podre, sem ética, que só serve para fazer propaganda de governos e partidos burgueses e demagogos como o de Germano Rigotto.
Visitem www.zerofora.hpg.com.br e conheça nossa campanha contra este veículo de propaganda burguesa.
Viva a mídia livre.  | O acontecimento deve nos fazer refletir sobre o papel da polícia e do estado em geral. Para nós, está mais do que claro que é preciso destruir o aparelho de estado. Mas, muita gente ainda pensa ser necessário haver um corpo policial, repressivo, para "proteger" a comunidade. A própria imprensa reforça o tempo todo essa idéia. Contudo, polícia existe é para defender a propriedade privada de uma minoria. Além disso, a maioria dos crimes cometidos hoje são resultado de uma sociedade doente, como a capitalista. Mudando as relações sociais não haverá necessidade alguma de uma força repressiva apartada e não controlada pela comunidade. No máximo podem ser criados coletivos de autodefesa não-profissional e não-permanente, formado pela comunidade, quando e onde houver necessidade.
Uma outra observação: a polícia de Rigoto é a mesma de Olívio Dutra. Isso mostra o quanto é frágil essa política de "conquistar" aparelhos burgueses para administrá-los. De uma hora para outra, basta mudar o comando e toda a máquina está pronta para ser usada contra o movimento social (embora tenha sido usada mesmo pelo PT). O que é muito diferente quando ocorre não uma vitória eleitoral da passividade, mas uma revolta popular feita pela comunidade, como ocorreu na Argentina ou em Chiapas. A subjetividade das comunidades adquire uma outra qualidade.
É preciso, portanto, que os movimentos de explorados e oprimidos das comunidades desmascarem e desconstruam essa perspectiva da passividade trabalhada por anos a fio pelo reformismo populista no Brasil - e em outros territórios.
Polícia, justiça e políticos são pagos com o suor do nosso trabalho para nos reprimir e defender a burguesia, a burocracia estatal, os privilégios de uma minoria. Diante da repressão, as comunidades têm legítimo direito de se autodefenderem desses bandidos, uniformizados ou não. Isso vale para os subalternos que cumprem ordens e descem o cacete, mas também para aqueles que dão as ordens: oficiais, comandantes, secretários de estado, governadores, presidentes. Ninguém pode estar inocente nesta história, ninguém.  | Não sou a favor do Estado policial na qual vivemos. Só vou relatar o que aconteceu lá no anfiteatro pôr-do-sol, pois eu estava ali no meio da confusão. Enquanto a banda Dead Fish se apresentava e as "rodas punks" se formavam, gangues de marginais aproveitavam-se disso e roubavam bonés, mochilas, bolsas dos paticipantes do fórum, além de agredir os mesmos. Amigos meus apanharam e não foi pouco. Acho que qualquer manifestante anti-globalização que estivesse apanhando naquele momento gostaria que a polícia estivesse ali pra apartar a confusão. E foi o que aconteceu. Claro que, como de costume, a polícia chegou distribuindo cacetada. bem menos, é verdade, do que já tinham recebido dos marginais que estragavam a festa dos presentes no Anfiteatro.
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