O IBAMA autorizou a caça da caturrita e do javali no Rio Grande do Sul, alegando que é necessária para o controle populacional.

No entanto, no caso das caturritas, a verdadeira causa é a negligência do governo, autorizando o desmatamento para dar lugar às culturas agrícolas.

Também a população de javalis se deve à negligência das autoridades, pois foi introduzido no Brasil sem que se cogitasse no desequilíbrio que poderiam causar ao meio-ambiente.

Introduzidos no Brasil no início da década de 90 como alternativa econômica,
muitos javalis criados em cativeiro foram soltos e outros conseguiram escapar.

Agora, para corrigir um erro causado pelas autoridades que permitiram o desmatamento desordenado e a introdução de animais estranhos à nossa fauna
no país, o IBAMA tenta solucionar o problema da maneira mais primitiva e radical, ou pela maneira que apresenta menor custo: a caça de animais, sem
querer se esforçar para resolver o problema através do próprio reequilíbrio
ambiental.

Leia abaixo o texto na íntegra, publicado na página do IBAMA:

"Ibama autoriza abate de caturritas e javalis para estabelecer o controle
populacional

Porto Alegre (01/04) - Duas Instruções Normativas (IN) emitidas pelo Ibama
hoje, dia 1º, irão permitir o abate de espécies-problema para a lavoura agrícola gaúcha: a caturrita e o javali. O controle populacional deverá
ocorrer da seguinte maneira. O abate da caturrita será em caráter emergencial para a atual safra, devendo vigorar até o próximo dia 31 de agosto, enquanto o do javali deverá correr pelo período de um ano.

A partir de hoje, o Ibama inicia também uma série de reuniões regionais com
a participação de instituições de pesquisa, prefeituras e associações de
agricultores para estabelecer formas permanentes de manejo de espécies exóticas e nativas no Estado. Os encontros, que servirão para preparar um
seminário marcado para o final de maio, serão realizados em Pelotas, Bagé,
Santa Maria, Alegrete e Caxias do Sul.

A Instrução Normativa 24 define as regras para o controle populacional das
caturritas. Os agricultores deverão se cadastrar nas unidades do Ibama do
Rio Grande do Sul ou em entidades credenciadas. Será permitido apenas o abate direto feito com armas de fogo de calibre 12, desde que respeitados os critérios de porte de armas previsto no Estatuto do Desarmamento. Venenos e
outros métodos de extermínio em massa não estão autorizados.

O desequilíbrio populacional das caturritas é o resultado do desmatamento
realizado para dar lugar às culturas agrícolas. A devastação retirou as condições para a sobrevivência dos predadores naturais, principalmente os
gaviões e as corujas. Sem eles, e com grande oferta de alimento disponível
nas lavouras, estas aves da família dos psitascídeos encontraram as condições ideais para sobreviver.

De acordo com a Instrução Normativa, as aves mortas não poderão ser comercializadas, limitando-se ao consumo doméstico ou ainda à alimentação de
animais em criadouros conservacionistas. Os animais deverão ser abatidos no
local e não podem ser transportados. A quantidade de aves eliminadas deverá
ser informada ao Ibama ao final da temporada para que o órgão possa mensurar
a eficácia da medida.

A Instrução Normativa 25 estabelece as regras de captura e abate do javali.
O procedimento só poderá ser realizado por produtores credenciados junto ao
Ibama e nos limites de sua propriedade. Será permitida também a formação de
equipes de caça, desde que lideradas por guias colaboradores previamente
treinados e habilitados.

O abate será possível apenas no local e deverá ser executado preferencialmente com armas de fogo. De acordo com a Instrução Normativa, os javalis não poderão ser transportados vivos. Fica proibida comercialização de produtos e subprodutos desses animais. As unidades de conservação federais, estaduais e municipais estão excluídas da Instrução Normativa.

O javali (Sus scrofa scrofa) tornou-se um problema para agricultura, a pecuária, os rebanhos domésticos e a vegetação nativa do Estado. Introduzidos no Brasil no início da década de 90 como alternativa econômica, muitos javalis criados em cativeiro foram soltos e outros conseguiram escapar. A experiência de um ano servirá para aferir a eficácia da medida que tem o apoio da comunidade científica e do setor agropecuário. Hoje grupos de javalis são encontrados em 25 municípios gaúchos: Aceguá, Arroio Grande, Arroio dos Ratos, Bagé, Bom Jesus, Cambará do Sul, Candiota, Caxias do Sul, Cerrito, Fagundes Varela, Herval, Hulha Negra, Ipê, Jaguarão, Jaquirana, Muitos Capões, Nova Prata, Pedras Altas, Pedro Osório, Pinheiro Machado, Piratini, Santa Tereza, São Francisco de Paula, Vacaria e Viamão."


Se você não concorda com este política ambiental e quer participar desta ação, envie mensagens de protesto para o IBAMA e imprensa local, solicitando uma política ambiental que respeite o meio ambiente e elimine a prática da
caça.

Os endereços:

*IBAMA
 linhaverde@ibama.gov.br ( ibama.gov.br)