O Assistente Social e o mercado de trabalho

ERICA BATISTA , FORMANDO-SE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, CURSANDO DUAS PÓS-GRADUAÇÕES: DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR E ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE
e-mail:  ericazipba@yahoo.com.br

O Serviço Social é uma profissão que se ocupa, entre outras questões, com relações sociais. Na atualidade, em que o mundo do trabalho passa por profundas mudanças, essas relações tendem a esgarçarem-se, tendo em vista que acirra-se a competitividade nesse mercado, produzindo duas categorias de trabalhadores: os qualificados e os desqualificados profissionalmente. Os primeiros sofrem uma pressão constante para manterem-se atualizados, enquanto que os segundos encontram-se progressivamente afastados das oportunidades de qualificação e consequentemente com grandes dificuldades para a permanência no emprego, ou para o retorno aos seus postos de trabalho.
O Assistente Social é um dos profissionais que poderá estar recebendo a demanda oriunda desses dois pólos, fazendo o atendimento individual, em grupo ou familiar, desenvolvendo ações que tenham como meta restabelecer os vínculos de pertença e evitar a possível exclusão social originária, das situações de vulnerabilidade e conflito. Especialmente, em relação aos trabalhadores que têm suas possibilidades de emprego diminuídas por essas mudanças. A atuação profissional do Assistente Social buscará capacitá-los para o exercício dos seus direitos básicos de cidadania, possibilitdando-lhes o acesso às políticas sociais disponíveis, ou propondo a criação de novos serviços que venham suprir possíveis dificuldades de atendimento a essa população.
Essa metamorfose em relação ao trabalho é vivenciada duplamente pelo Assistente Social, que sobre este prisma enquadra-se como trabalhador, devendo ser possuidor das qualidades de empregabilidade exigida pelo mercado. Por outro lado, esse mesmo profissional no exercício da sua profissão, como prestador de serviços sociais, estará recebendo no seu local de trabalho, nas diversas áreas de atuação do Serviço Social, essa nova leva de usuários pertencente à classe que vive do trabalho, mas que não encontra espaço para o exercício da sua cidadania por meio da ocupação profissional.
Diante dessa situação há uma maior procura pelas políticas sociais compensatórias com a conseqüente ampliação do número de vagas para o Assistente Social, já que este profissional competente para planejar, gerir e operacionalizar a política de Assistência Social. O principal desafio para o Assistente Social nessa nova configuração da realidade, consiste em apresentar-se como uma nova profissão qualificada para contribuir com respostas a estas questões imediatas, mas que ao mesmo tempo, não perca o seu caráter propositivo, a sua visão crítica no sentido de romper com o imediatismo estabelecendo ações consistentes com base em princípios éticos que tenham como perspectiva a promoção da cidadania. Nessa visão a Assistência Social é direito e não favor ou benevolência, cabendo ao Estado enfrentar as desingualdades sociais, provocadas pelo seu modelo de desenvolvimetno, com políticas redistributivas que promovam a inclusão.
O Serviço Social é uma profissão nova e em contrução, que vem sendo plasmada de acordo com as solicitações apresentadas pela sociedade dentro do seu campo de atuação. Alguns estudos recentes apontam que, assim como outras profissões que trabalham as relações, o Serviço Social tende a desempenhar um papel de importância crescente em contrapartida aos fenônemos da automação, robótica e microeletrônica que impulsionaram a revolução tecnológica. É preciso estar qualificado para para conseguir o trabalho com qualidade, em respeito aos cidadãos usuários das políticas sociais e pelo fortalecimento da profissão.