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Dia Latino Americano e do Caribe pela Descriminalização do Aborto
Por AUTONOMIA REPRODUTIVA 03/10/2004 às 05:48

Dia 28 de setembro é o Dia Latino Americano e do Caribe pela Descriminalização do Aborto. Essa data foi escolhida em 1990, no V Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe, realizado em San Bernardo, na Argentina. O principal objetivo da mobilização é lutar para impulsionar o cumprimento das leis que permitem o aborto, além de gerar avanços na legislação que possibilitem a revisão das leis punitivas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, na América Latina e Caribe cerca de 4,2 milhões de mulheres realizam abortos anualmente. A maior parte delas o faz em condições inseguras e de forma clandestina, em muitos casos com conseqüências irreparáveis à sua saúde. Entre os 20 milhões de abortos inseguros realizados por ano mundialmente, cerca de 90% ocorrem nos "países em desenvolvimento", causando a morte de cerca de 70 mil mulheres. A penalização de tais práticas acaba obrigando mulheres que já têm dificuldades em exercer seus direitos, por problemas de acesso à educação, informação, saúde, recursos econômicos e institucionais, a precisarem arriscar suas vidas caso não queiram ter uma criança.

A reivindicação pelo direito de interromper uma gravidez com segurança está diretamente relacionada à autonomia da mulher e do seu corpo. Também desvincula a sexualidade da mulher do "papel reprodutivo" que a sociedade a impõe. A moral conservadora, que abomina uma prática largamente difundida, principalmente nos países mais pobres, além de colocar em risco a vida de milhões de mulheres, viola diretamente seu direito de escolha. A lei que existe para supostamente "proteger a vida", acaba causando milhares de mortes e nega as reais condições da maior parte das mulheres, punindo-as por tomar uma decisão que só deveria caber a elas mesmas.

[ 28 de setembro: Dia Latino Americano pela Legalização do Aborto | PRÓ-ABORTO: atividades em diversos Estados nos próximos dias | PRÓ-ABORTO: conheçam alguns sítios com diversas informações sobre o assunto | Pelo direito ao aborto! - Fotos | ABORTO LEGAL: Espanha agilizará processo de aborto em hospitais públicos | Autonomia reprodutiva | Transgressão Feminina Já | Numa Cama Clandestina | ABORTO | Verso em comemoração ao Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto | Música pró escolha ]

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Comentários


UM ESTUPRO À RAZÃO
Heitor Reis 03/10/2004 13:57
heitor@fr.fm
http://www.heitor.fr.fm




Antes de tudo, veja quem ganha com o comércio de fetos e está por de trás da mais sórdida forma de comércio, financiando ocultamente este movimento, certamente composto por pessoas de boa fé, manipuladas pelo mesmos interesses mercantilistas que combatem normalmente:  http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/09/264660.shtml

Mas há um aspecto mais profundo, específico e pessoal, além deste, meramente comercial, capitalista e neoliberal, onde tudo tem seu preço, desde que propicie lucro para as empresas, sem princípio ético algum.

É um ato de inteligência adotar como regra geral a permissão para que ocorra uma gravidez, quando ela não é desejada?

Quando sabemos que vamos dirigir, não devemos beber, já que as consequências podem não ser agradáveis...

Quando usamos o cinto de segurança, visamos nos antecipar a um fato indesejado que poderia nos custar caro... Etc., etc., etc. ...

No entanto, quando se trata do aborto, o enfoque de seus defensores se concentra em um efeito e não em sua causa, demonstrando a irracionalidade de tal tese.

Quem deseja realizar um aborto é alguém que ficou grávida sem o querer.

Se não o queria, por que se permitiu engravidar, quando há recursos suficientes para evitá-la?

E não me venha com aquela mentira amarela que nada sabia sobre a relação sexo e gravidez!!!

Depois, vem se fazer de vítima, alegando estar sendo crucificada em preconceitos religiosos, quando na realidade ela própria sacrifica no calvário de seu prazer indômito, os mais simples postulados da lógica científica.

O custo do aborto, suas sequelas psicológicas e orgânicas, quando não fatais, são muito mais onerosas que a simples prevenção.

Mas isto exige uma certa disciplina, racionalidade, auto-controle e
consciência, qualidades estas bastante fora de moda ultimamente. São raros os que tem interesse em praticá-las.

Infelizmente, a grande maioria prefere viver dopada em suas próprias emoções e sentimentos, ou naqueles produzidos pela TV, principalmente, tornando-se vítimas compulsórias do sexismo sem limites, sem consciência, sem responsabilidade e sem a única característica que distingue o ser humano de um animal.

E não estou falando apenas da abstinência! A própria ICAR - Igreja Católica, Apostólica e Romana divulga gratuitamente método aprovado pela infalibilidade papal (sic), alegando ser ele o mais seguro em todos os sentidos. Mais barato e menos nocivo à saúde.

A mulher é dona de seu próprio corpo, como se tem alegado para defender o aborto, esquecendo-se que um homem contribuiu (racional ou animalescamente) com a metade da condição sem a qual não haveria início do processo de geração de outra vida, sendo aquele outro corpo em formação, propriedade também do parceiro que praticou coito com a que engravidou.

E, como homem não fica grávido e nem faz aborto em si mesmo, sendo muito comum abandonar a mãe de seus filhos, a responsabilidade por prevenir-se da gravidez indesejada acaba sendo da mulher, em função de sua condição natural.

Mas, se ela fosse realmente dona do seu corpo, teria domínio sobre ele o suficiente para impedir que ocorresse em seu interior algo que não deseja. Aquilo que a gente não domina, não nos pertence.

Por que ao invés de defender-se a consequência, estes aguerridos militantes da irracionalidade não se concentram na p(m)aternidade responsável, procurando cortar, assim, o mal pela raiz?

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
CAPÍTULO VII
DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA,
DO ADOLESCENTE E DO IDOSO
Art. 226 - A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

Antes de defender-se a prática indiscriminada do aborto, é muito mais sensato atacar suas causas, nos termos da lei, gastando toda esta energia no sentido de exigir do Estado que cumpra o seu dever, propiciando condições para que não haja o aborto no sentido tradicional, mas que ele seja praticado antes da geração de um filho indesejado.

Abortemos, antes a ignorância, a irresponsabilidade e a inconsequência.

Afinal, quem abdicou do direito de prevenir a gravidez tem o direito de abortá-la?






Aborto?

Aborte esta idéia.

Seja racional!

Se não quer um filho, não engravide!

Uma simples questão de lógica...

Ou é melhor pensar com a vagina?






sim o seu comentário é um estupro a razao !!!
autora 04/10/2004 01:35

Ola Heitor,

há tempos acompanho seus comentarios... que sempre passam pelo viés de "pensando com a vagina", "se fazendo de vitimas", e com aquelas mais que sensacionalistas ilustrações de fetos .

ei cara ... vamos por parte... a legalização do aborto é para gestação até os 3 meses. Portanto aqueles fetos que ilustram seus argumentos, nào condizem com o que o movimento social das mulheres pelo direito ao aborto lutam

Essa história de que as mulheres pensam com a vagina e que os homens não assumem a gravidez porque não engravidam são formas sexistas de legitimar a negação do direito ao aborto. E que a responsabilidade é exclusiva da mulher também se inclui nessa categoria

Uma mulher só engravida se um homem fizer parte do processo, porque justamente na hora que inesperadamente a gravidez ocorre o cara pode dizer tô fora e a mulher não ? Será que o cara pensou com o penis ? ????????

continuo daqui a pouco este debate... mas reflita HEitor sobre o legado paternalista em nosas história... TEm aquela frase ótima... se os homens abortassem , o aborto seria obrigatório !

que se vajan todos !


Vantagens de ser feminista e/ou ativista gay
politicamente incorreto e desagradável 05/10/2004 19:04

O bom de ser feminista ou militante gay (como esses que controlam o CMI) é que você pode sempre se valer de uma meia-dúzia de termos inventados pelos chefes (tipo: 'sexismo', 'homofobia', 'autonomia reprodutiva'), pra manipular o debate, desqualificando o discurso do oponente como 'preconceituoso' (ou mesmo o censurando), e parecendo no final que você tem alguma razão e sua causa particular é algum tipo de "direito humano" sagrado e incontestável...


Sexismo feminista
politicamente incorreto, desagradável e chato 05/10/2004 19:18

Frases como "se os homens abortassem , o aborto seria obrigatório" são formas sexistas/feministas de legitimar a negação do direito de se opor ao aborto.


O ESTUPRO DO ESTUPRO DO ESTUPRO
Heitor Reis 07/10/2004 07:04
heitor@fr.fm
http://www.heitor.fr.fm

Cara Autora!

ooooooooooooooooooooooooooooo
há tempos acompanho seus comentarios... que sempre passam pelo viés de "pensando com a vagina", "se fazendo de vitimas", e com aquelas mais que sensacionalistas ilustrações de fetos .
ooooooooooooooooooooooooooooo

Passam por isto, mas não se limitam a isto.



ooooooooooooooooooooooooooooo
a legalização do aborto é para gestação até os 3 meses. Portanto aqueles fetos que ilustram seus argumentos, nào condizem com o que o movimento social das mulheres pelo direito ao aborto lutam
ooooooooooooooooooooooooooooo

As fotos ilustram apenas o produto do aborto. Nada menciono e nem pretendo inferir além disto. Em momento algum discuti a questão da idade do feto. Discuto o aborto de uma forma genérica, independente deste fator cronológico. Minha tese é de que é melhor prevenir que remediar. Apenas isto.


oooooooooooooooooooooooooooooooo
Essa história de que as mulheres pensam com a vagina
oooooooooooooooooooooooooooooooo

Em momento algum afirmei tal coisa. Mas questionei se é melhor pensar com a vagina. Isto não implica, em hipótese alguma que "as mulheres pensam com a vagina", mas que podem escolher ou não fazê-lo. E caso não tenham esta opção, não são donas de seu próprio corpo (nem de suas mentes), como tem sido defendido aqui.


ooooooooooooooooooooooooooooooo
e que os homens não assumem a gravidez porque não engravidam
oooooooooooooooooooooooooooooooo

Também não disse tal coisa. Releia meu texto sobre este assunto, adotando uma ordem mais direta da lógica, abaixo:

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
E, como
(CAUSA 1) homem não fica grávido E
(CAUSA 2) nem faz aborto em si mesmo,
(CAUSA 3) em função de sua [DA MULHER] condição natural.
(CONSEQUÊNCIA) a responsabilidade por prevenir-se da gravidez indesejada acaba sendo da mulher,
(FATO) sendo muito comum [O HOMEM] abandonar
a mãe de seus filhos,
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Você confundiu uma das premissas empregadas em meu argumento, como sendo a segunda conclusão da primeira.


ooooooooooooooooooooooooooooooooo
são formas sexistas de legitimar a negação do direito ao aborto. E que a responsabilidade é exclusiva da mulher também se inclui nessa categoria
ooooooooooooooooooooooooooooooooo

Eu jamais defendi que a responsabilidade é exclusiva da mulher! Eu afirmo que, em função do homem não engravidar, quem paga o pato é a mulher. Assim, pelo fato dela sofrer totalmente as consequencias de um ato
de responsabilidade comum com o homem, ACABA sobrando para ela a responsabilidade por prevenir-se, caso não queira ter este tipo de problemas.


ooooooooooooooooooooooooooooo
Uma mulher só engravida se um homem fizer parte do processo, porque justamente na hora que inesperadamente a gravidez ocorre o cara pode dizer tô fora e a mulher não ? Será que o cara pensou com o penis ? ????????
ooooooooooooooooooooooooooooo

Sem dúvida. Mas tal enfoque não influencia, na prática na solução do problema que a mulher acaba tendo, normalmente, de arcar sozinha, em caso de queirer abortar o sub-produto do prazer desfrutado com seu cúmplice.

oooooooooooooooooooooooooooooo
continuo daqui a pouco este debate... mas reflita HEitor sobre o legado paternalista em nosas história... TEm aquela frase ótima... se os homens abortassem , o aborto seria obrigatório !
oooooooooooooooooooooooooooooo

Não tenho a menor dúvida que nossa sociedade é machista e paternalista. E de que se os homens, hoje dominantes sobre as mulheres engravidassem, já teriam resolvido este problema legalizando o aborto indiscriminado.

Mas este enfoque também não nos conduz a coisa alguma. O ponto fundamental é: por que não prevenir a gravidez, evitando, assim optar pelo aborto, que é muito mais complicado, caro, arriscado, irracional, etc.?


Se os homens abortassem?
Sarah 07/10/2004 15:40

Se os homens abortassem, as feministas com certeza seriam contra o aborto.


Crianças não são um bem!
direito à vida 10/10/2004 03:54

Do artigo: "caso não queiram ter uma criança".

As crianças não são propriedade da mãe.

Desde a fecundação a criança tem características próprias, ela não é uma parte da mãe, seu dna não é o da mãe.

Apesar de estar abrigado no corpo da mesma, o feto é um ser separado, ao contrário do que argumentam os infaticistas ao tentarem justificar o aborto.

Tampouco é um organismo primitivo, como um vírus ou bactéria, seu dna é humano.

E não está morto, é um ser humano vivo, suas células se reproduzem de forma autonoma. O corpo da mãe provê as condições para o desenvolvimento (fornecendo calor e nutrientes) mas não coordena a evolução do ser.

É claro que fora deste ambiente (a não ser em incubadoras que um dia a ciência há de inventar) a criança não sobrevive.

Como tampouco sobrevive sozinha a criança nos primeiros anos após o parto, sem auxílio, para se alimentar por exemplo, seu organismo frágil logo morreria.

Portanto em toda sociedade organizada existe o dever, mesmo implícito, de se auxiliar a infância, devido a incapacidade das mesmas de se sustentarem sozinhas neste momento da vida.

A diferença das duas situações, nas condições tecnológicas atuais, é que no período pré-parto apenas a mãe pode prestar auxílio direto a criança.

Mas isto não escusa a sociedade de exercer sua obrigação de proteger a vida daqueles incapacidados de o fazerem por conta própria. Portanto é dever da sociedade, especialmente das mães, proteger as crianças do aborto.

Outro argumento falho, é que a mulher deve poder escolher gerar uma vida ou não.
Desde quando a mulher conseguiu sua autonomia sexual, podendo escolher quando se relacionar sexualmente, ela pode fazer isso.

Usar esta argumentação para justificar o aborto contraria as leis da física:

Do mesmo jeito que não se desiste de matar uma pessoa depois de ter matado, não se decide não conceber uma vida após ter concebido

E as leis da física são imutáveis.


Estrutura de partidão
"I" de quê? 10/10/2004 05:32

Tenho observado que quando a direção do cmi publica artigos (com destaque visual proporcional à sua influência) que tratam de assuntos polêmicos, cuja opinião de um número considerável de participantes do site conflita com a da direção do cmi, a opinião destes demais participantes é totalmente ignorada.

É o que se observa por exemplo em artigos que tratam do aborto ou da homosexualidade. Um grande número de pessoas manifesta contrária ao conteúdo do texto de chamada, mas na próxima edição de um artigo do tipo o texto de chamada é escrito como se estes comentários nunca tivessem existido.

Não se preocupa em utilizar a opinião anterior dos leitores ao se construir o texto de um artigo, o único espaço que cabe no artigo além da opinião da direção é simplesmente citar (rotular) que a opinião contrária é "conservadora" ou algo do tipo.

Rótulo irõnico quando é a própria direção do cmi que assume tal posição, ao ignorar os comentários e repetir sempre as mesmas coisas, tentando convencer pelo cansaço.

Uma demonstração disso é que ela ignora o debate. Não se vê contraposição de argumentos feitos no campo de comentários com a mesma intensidade que artigos sobre o assunto (geralmente artigos prontos) são (re)publicados.

Talvez por saber que tem o poder de publicar o que quiser, quando quiser, ela se afasta da discussão, pois tem outros meios mais fáceis de fazer prevalecer sua opinião.

O espaço de comentários é o lugar do "povão" falar, a "elite" ignora o "elevador de serviço" e utiliza diretamente a coluna central.

O Cmi diz ter um "coletivo editorial", vulgo direção, aberto, onde todos podem participar, mas a história não é tão simples assim. Existe uma série de restrições para se chegar lá, que basicamente envolve "adquirir confiança" (palavras próprias deles).

Você consegue isto de duas formas:
- Frequentando assiduamente reuniões semanais e participando de discussões online (email ou chat) não menos frequentes.
Algo praticamente impossível para quem trabalha e estuda, a não ser que se viva em função de "garantir o direito de ser adequadamente ouvido no cmi".

- Ou fazendo parte do círculo de amizade deles, daí já sabem que você compartilha as mesmas opiniões e não fazem tanta questão da assiduidade.

E chegar no coletivo editorial não garante muita coisa não, já vi situações (no antigo arquivo de mensagens) de pessoas serem repreendidas por discordar de uma opinião predominante, falando que estas pessoas estavam atrasando a publicação ou que lá não era lugar para se discutir a validade do conteúdo (e sim nos comentários).

Outra tentativa de frustar discussões é mover discussões deste tipo (que questionam o cmi) para a lista de discussões, bem menos frequentada do que o site e majoritariamente por quem compartilha as mesmas opiniões da diretoria, daí a única coisa que se consegue é uma enchurrada de emails defendendo a posição da direção.


Buscando um pouco mais
Alexandre Fernandes 13/10/2004 14:04
pensenisso1@hotmail.com

O intuito de participar desse fórum, sobre a legalização do aborto, se deve mais pelo fato, de eu estar buscando mais embasamento sobre o assunto. Tenho por natureza um certo posicionamento de vanguarda, assim sendo, na maioria das vezes me oponho ao conservadorismo, mas em casos isolados (como a legalização do aborto) me vejo conservador. Até hoje, não encontrei um argumento que fosse pertinente em relação a tal legalização, tudo que li e ouvi de pessoas, que em muitos outros assuntos pensam como eu, sobre essa temática me parecem sem fundamento, mas gostaria de saber mais, ouvir mais. O que penso hoje sobre isso é que o aborto em si, é uma atitude totalmente individualista em uma cena não individual, como citou-se anteriormente neste fórum, a gestação está diretamente relacionada a mulher, porém diz respeito a duas pessoas, e/ou porque não, a três (a criança); fala-se em aborto até o terceiro mês, mas eu (aí é que pairam todas as minhas dúvidas) não sei a partir de quando pode-se considerar que um indivíduo já existe, o que sei é que independente do que a lei diz, dúvidas e contradições reinam nesse campo, assim sendo acho que seria muito arriscado tomar uma decisão tão séria e definitiva. Se uma gravidez é indesejada, mas o nascimento é consumado, não se pode saber o que vai ser daquela pequena criatura ao longo da vida, o que temos é realmente uma incógnita, pois muitas das vezes a gravidez é indesejada, em razão da mãe não ter condições financeira, psicologica ou qualquer outra incapacitação, porém ainda assim é uma dúvida, agora quando há uma gravidez indesejada e se aborta acabam-se as dúvidas, encerra-se ali todas as possibilidades, as boas e as ruins, mesmo eu crendo que por pior que seja o destino ou o desenrolar da vida de alguém, ainda é melhor que a morte. Quando se fala em escolha (pro choice) se esquece do maior envolvido em tudo isso, e se esquece que ele (o feto) não tem direito a escolha, se estamos tentando evoluir individual e socialmente acho antagônico defendermos uma ação "pré-histórica" como o assassinato, ainda com um agravante, como já foi dito também, a criança quando está ainda na gestação é muito frágil e por isso a barriga se mostra um invólucro tão especial, tão único, que na minha concepção cessar uma vida nesse ambiente é um crime dos mais hediondos. Não tenho a visão da igreja que se opõe ao uso de camisinha, ou a práticas sexuais como o sexo oral ou anal, por considerar que com essas práticas se está desperdiçando vidas, mas depois que se forma algo (como um embrião), não consigo me sentir confortável com seu precoce e artificial fim. Não estou participando de nenhuma guerra de sexo, quero somente mais informações sobre essa temática.


Aborto não...educação!!!
Rebeca 20/10/2004 14:02
bekaso@bol.com.br

Gostaria de tomar como exemplo o Brasil, país onde meninas de periferia engravidam todos os dias, dá pra ter noção do que seria dos hospitais públicos se o aborto fosse legalizados no Brasil? Além de verdadeiros frigoríficos os gastos e os problemas com a saúde no Brasil só iam aumentar. Questões que julgo prioritárias como câncer, aids, transplantes de orgãos, etc, iam competir tanto em verba quanto em espaço dentro dos hospitais com a irresponsabilidade ou com a falta de informação e educação de uma aventura da noite passada. Imagine se esses dados clandestinos fossem parar nos corredores dos hospitais brasileiros! Além do mais o contribuinte pode pensar "Eu, pagar imposto para financiar as consequências da noite de uma aventureira irresponsáevel!". Aborto não é depilação...é uma agressão enorme ao corpo da mulher, seja feito de forma legítima ou não, esponânea ou não. Em países onde existe uma educação voltada para a prevenção da gravidez os gastos com aborto e as taxas de abortos são mínimas...aí sim , por que existe educação, crianças não engravidam, e as mulheres tem uma conduta preventiva com relação a gravidez. Aí num país como um Brasil, falar em aborto, nos dias atuais, pra mim, é algo, impensável!
Deve haver sim, uma política voltada para educação preventiva da gravidez , ai sim depois pensar-se em legalização do aborto no Brasil.


Legalize já!
Marcos 21/10/2004 12:19

É ridículo que o aborto seja ilegal num país como o nosso que sofre uma pobreza sem limítes que em torno gera um caos descomunal. A super-população é a raíz de vários dos nossos problemas. O governo deveria providenciar não só o aborto legal e seguro, como ele deve ser, mais também acesso a esterilização gratuita.
A mulher brasileira é uma cidadã de terceira-classe nesse mundo. Ela sofre por não ter acesso aos seus direitos reprodutivos.
O aspecto mais terceiro-mundista de nosso país é a influência da religião na nossa política, influência venenosa e machista que ataca o direito básico da mulher brasileira.
Será coincidência que o aborto é legal nos países ricos do Norte mas ilegal nos países pobres do Sul? O controle natalino está diretamente ligado a situação econômica do país.
Legalizar o aborto é um passo definitivo a integrar a mulher de maneira justa na sociedade.


Aborto e população
anti-aborto 23/10/2004 04:46

Atribuir a um suposto excesso de população, genericamente ou de determinada origem (raça ou classe social), os males do (terceiro) mundo é um argumento antigo.

Os defensores deste argumento normalmente pregam a educação e/ou a esterilização para conter a reprodução. Mas também não é incomum encontrar na história quem argumente em controlar a população após a reprodução em si, seja pelo infaticídio ou genocídio.

A quantidade de população em si não é um problema, o Japão tem altíssima densidade populacional sem abrir mão de boa qualidade de vida.

E no Brasil este está longe de ser o problema mais grave, a renda per capita brasileira é de R$ 8.565 [1] o que daria para uma família média de 4 pessoas uma "renda por família" mensal de R$ 2.855

Este valor, impensável para a maioria, evidencia a origem dos dramas sociais brasileiros: a má distribuição de renda.

Este papo de o problema estar na quantidade de população é apenas uma fuga dos problemas reais. Que pode ser devido à ingenuidade ou uma recusa à mudança: ao invés de movimentar a riqueza (melhorar a distribuição) tenta-se alterar a população (diminuir o número de "pobres").

Tentar associar legalidade do aborto à riqueza também é um argumento falho.

Na Rússia o aborto é legal e lá são realizados mais abortos do que em todos países ocidentais [2]. Na China o aborto também é legal e a quantidade (mesmo proporcional) de abortos não é menos impressionante.

Ser um país desenvolvido também não significa maior racionalidade.
[3] 70% dos abortos realizados nos EUA são baseados em razões subjetivas (25% sequer sabem dizer um motivo, disseram apenas não ser o momento apropriado) ou se devem a razões psicológicas e de relacionamento (45% restantes).
Apenas 21% justificaram com o sustento financeiro da criança, embora eu conheça pessoas com casa própria e filho estudando na melhor escola da região que alegam o mesmo motivo para não outro filho.
(O percentual restante se trata de risco à gravidez ou à criança)

Demonstrando que o aborto está muito mais relacionado à egoísmo da genitora (que preocupa apenas com si e não com o ser humano que abriga) e/ou à falta de preparo emocional da mesma.

Também é interessante apontar outro item desta mesma pesquisa: 26% alegam ter feito aborto por pressão de outras pessoas (14% dos parceiros e 12% de parentes). Um aval do governo para a realização do aborto forçará muito mais mulheres, que hoje ao menos contam com o apoio da lei, a agirem contra sua vontade.

Para variar, os defensores do aborto continuam querendo associar repúdio ao aborto a ser retrógrafo. Estes existem é claro, mas não vejo menos dogmatismo neles do que nos que defendem o aborto. O que vejo é apenas uma colagem de frases de efeito, fugindo de argumentação embasada em relação às opiniões contrárias.


[1]  http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=125&id_pagina=1

[2]  http://www.infoplease.com/ipa/A0004397.html

[3]  http://womensissues.about.com/cs/abortionstats/a/aaabortionstats.htm


homicídio
eu 26/10/2004 16:58

"1º) Um ovo humano (zigoto) é um ser vivo? 2º) Do ponto de vista genético, esse ser é um indivíduo único e completo? 3º) Taxonomicamente, esse indivíduo pode ser classificado como um exemplar da espécie Homo sapiens? Se as respostas forem positivas, não haverá como negar que um aborto intencional é um homicídio."

 http://www.montfort.org.br/veritas/clone_de_hitler.html
 
 
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