Como conquistar a soberania

Celso Brant

O maior problema do Brasil não está em saber como poderá se libertar da situação de colônia, mas em tomar consciência da sua situação de colônia. O pior escravo é aquele que ignora a sua situação de escravo. Ao tomar consciência da sua condição de escravo, o escravo deixa de ser escravo pela metade. Abre-se à sua frente o caminho da libertação. O colonialismo é, para os países, o que a escravidão significa para os individuos. O escravo é aquele que não é dono de si mesmo, que não pode programar o seu destino, que não tem o direito de escolher o seu caminho. A colônia é o país que não comanda o próprio, cujas decisões fundamentais vêm de fora. O Brasil é, hoje, a pior forma de colônia: a colônia que não tem, sequer, consciência da sua situação de colônia. Quando éramos colônia de Portugal, tínhamos, pelo menos, consciência dessa situação, e, na decorrência disso, a nossa história foi, toda, ela, marcada por movimentos libertários. A falta de consciência de que somos agora colônia dos Estados Unidos nos impede qualquer forma de reação e, como conseqüência, garante a continuidade da nossa submissão.

A colonização portuguesa não passou de uma empresa de saque. Os portugueses não administraram o Brasil; não se preocuparam com os nossos problemas: o seu único interesse estava em daqui retirar, o mias rapidamente possível, as nossas riquezas. Por estupidez, o ouro foi transferido para a Inglaterra, e os diamantes, para a Holanda.

Quando éramos sua colônia, Portugal tinha de paraa cá mandar os seus governantes e aqui manter um exército. Tinha, ainda, de cobrar impostos- os- quintos que representaram motivo de permanente revolta. O domínio dos Estados Unidos obedece a outro esquema: financiam, através da mais deslavada corrupção, a eleição dos governantes de sua confiança que, uma vez no poder, passam a fazer o seu jogo; usam o Exército nacional como exército de ocupação, e , através dos juros da dívida externa, cobram do devedor o que quiserem. Hoje, através dos juros, estamos mandando para os Estados Unidos, em dólares, cem vezes mais do que remetíamos em ouro para Portugal, quando dele éramos colônia.

A submissão colonial do Brasil é hoje feita através do Fundo Monetário Internacional, que muita gente pensa tratar-se de uma organização internacional mas que não passa de uma secretaria do Departamento de Estado americano. Ao lado de juros financeiros, que são aceitáveis, o FMI cobra juros políticos, que são absurdos, porque representam a entrega da própria soberania. Aconteceu hoje com os países devedores o que, na Roma antiga, ocorria com os devedores inadimplentes: perdem a liberdade. Os devedores relapsos eram feitos escravos. Agora, os países em débito não transformados em colônias.

O Brasil tem toda condição de conquistar, a qualquer momento, a soberania. Só ainda continua colônia por decisão de suas elites políticas que, ao invés de usarem a poupança nacional, que é libertaria, preferem se utilizar da poupança externa, que é escravizadora. Os nossos fundos de pensão, por exemplo, que poderiam ser utilizados para o desenvolvimento da economia nacional, têm sido usados para entregar para os estrangeiros grande parte do nosso setor produtivo. 50% das privatizações no Brasil foram financiadas pelos nossos fundos de pensão.

Para fazer do Brasil um país soberano, não precisamos de deixar de pagar as nossas dívidas e romper com o sistema financeiro internacional. Basta por um ponto final na nossa submissão ao Fundo . Hoje, nada mais devemos ao FMI. Para conquistarmos a soberania, basta por ordem nas nossas finanças e nunca mais nos socorrermos da ajuda suicida do Fundo Monetário Internacional.


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Celso Brant

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Movimento Nova Inconfidência