O trabalho dos cordeiros não é dos mais gratificantes. Segundo informações conseguidas com Maia, membro da Associação dos Cordeiros da Bahia, o pagamento varia de acordo com a posição do cordeiro no bloco: os da frente e fundo, que ditam o ritmo da corda e fazem mais força, deveriam receber R$ 15,00 por dia, enquanto os cordeiros de lado deveriam receber R$ 10,00 por dia; todos eles têm direito também a lanche, luvas, sapatos, blusas de identificação, óculoes de proteção e protetores de ouvido, para minimizar o trauma causado pelo som alto sobre os tímpanos (v. a "amostra grátis" do som dos trios que colocamos aqui). Não faltam, entretanto, denúncias de blocos que pagam menos que o combinado (reduzem o pagamento até a R$ 8,00 por dia) e outros que não dão o lanche, os protetores de ouvido, luvas, etc. Mulheres grávidas também são admitidas como cordeiras, com risco para seus bebês. Não poucas vezes andam descalços sobre o asfalto escaldante e já bastante sujo de urina, cacos de frascos de lança-perfume e latas de alumínio amassadas
Para piorar a situação, não são os blocos que contratam diretamente os cordeiros. Empresas de segurança particular os procuram nas periferias de Salvador e os contratam para trabalhar na festa, o que serve com salvaguarda da imagem dos blocos: toda vez que surgem problemas com os cordeiros, os diretores de bloco e as estrelas dos trios jogam a culpa nas empresas de segurança, mantendo limpa a sua reputação e evitando sujar suas mãos com o problema.
As entrevistas em áudio que acompanham este artigo foram feitas na concentração do bloco Frenesi, no corredor da Vitória, com um grupo de cordeiras reunidas antes da saída do bloco. Diga-se que esta foi a única entrevista que pôde ser realizada, pois a maioria dos cordeiros abordados não quis ser entrevistada. A péssima qualidade do áudio se deve tanto ao fato delas terem sido realizadas com um walkman barato quanto pelo fato de estarmos ao lado de um trio elétrico que passava o som naquele mesmo momento. Como em outras vezes, os áudios foram digitalizados em formato .ogg (
http://www.vorbis.com/), um formato livre, mais compacto e de melhor qualidade que o .mp3, que pode ser ouvido nas versões mais recentes de reprodutores de áudio digital. 