Juiz federal decide que função de médico é exclusividade de quem tem diploma brasileiro


Médicos cubanos são impedidos de trabalhar no Brasil e voltam a Cuba. Decisão de juiz federal atende pedido da corporação dos médicos brasileiros. O CRM, que não consegue apurar os crimes da máfia de branco, mas que é muito rápida na defesa da exclusividade da medicina aos filhinhos de papai formados pelas universidades privadas brasileiras, pediu a proibição da clínica médica aos cubanos.

Texto indignado de C Tavares

O Brasil não precisa de médicos socialistas. Os 62 médicos cubanos que trabalhavam no Tocantins foram obrigados a deixar o Brasil nesta sexta-feira.

A decisão foi do juiz federal Marcelo Albernaz, que concedeu liminar ao Conselho Regional de Medicina de Tocantins, proibindo sob pena de prisão que os médicos cubanos atuassem profissionalmente por falta de registro na entidade.

Alguns dos médicos que embarcaram na manhã desta sexta-feira em Brasília com destino a Cuba se defenderam alegando que atendiam comunidades carentes, e disseram ter confiança de que a situação será resolvida e que poderão retornar ao País.

O vice-presidente do Conselho de Medicina, Frederico Melo, defendeu a iniciativa do CRM-TO acusando os médicos cubanos de não conhecerem a realidade do país, não dominarem a língua portuguesa e de não terem provado que são médicos (!????!). O secretário estadual de Saúde do Tocantins, Gismar Gomes, disse que o acordo de cooperação firmado com o governo cubano em 1997 se deu pela falta de médicos brasileiros que aceitassem atuar no interior do Estado, dificuldade que existe até hoje.

Em concurso realizado recentemente pela Secretaria da Saúde do Tocantins não houve candidatos para ocupar as vagas de médicos em 42 localidades do interior do estado. O salário pago pelo governo estadual é de R$ 4.500, que é completado pelas prefeituras municipais. Mesmo assim os médicos filiados ao CRM acham esse salário muito baixo e preferem praticar sua medicina nos grandes centros, de preferência atendendo aos membros das classes dominantes.