A VERDADEIRA JUSTIÇA SOCIAL

No Brasil, a expressão “justiça social”é empregada além da conta. Políticos, jornalistas, professores, comentaristas, não se cansam de usá-la.Às vezes de maneira adequada, mas, na maioria das vezes, de forma simplista e demagógica.Há muito esta expressão vem sendo repetida por todos aqueles que de alguma forma se julgam possuidores da fórmula mágica para se acabar com o drama da desigualdade que atinge o país, e querem fazer com que o povo acredite neles. Mas “justiça social” nunca foi tão usada quanto agora, com a ascensão do PT ao governo do país. O problema é que da palavra à ação vai uma grande distância, pois nunca também, como agora, os índices de desenvolvimento humano estiveram tão baixos, apesar da propaganda governamental insistir em dizer o contrário.

Durante anos na oposição o PT fez da busca pela justiça social a sua mais cara bandeira.Pela via da estatização, do repúdio ao mercado, do antiamericanismo, do intervencionismo, do corporativismo e, em alguns casos, da defesa de um nunca bem definido “estado socialista”. O fato é que , em nome da “justiça social” Lula e seus companheiros sempre argumentaram contra a liberdade econômica -por eles execrado sob o nome de neoliberalismo- e sempre a favor da maior presença do Estado, com o argumento de que era preciso corrigir as distorções geradas pelo capitalismo,segundo eles, o causador das desigualdades sociais e da miséria.

Uma vez no poder, viu-se que a prática petista só tem sido coerente com o seu discurso no que se refere ao tamanho da máquina estatal:eles não só aumentaram o seu tamanho como também a sua ineficiência. Quanto à Justiça social ela ficou limitada apenas aos quadros do PT e de alguns de seus aliados fisiológicos: o governo petista tem sido pródigo na distribuição de cargos e empregos aos seus amigos e aliados. Passou bem longe da massa de trabalhadores pobres e miseráveis, vítimas da injustiça social que o PT dizia combater. .A verdade é que a busca pela justiça social – não a “igualdade social”, não confundam – depende de dois pressupostos que o atual governo não soube ou não quis encarar, ou sejam, a educação e o emprego. O governo Lula quer fazer crer que a justiça social se alcança com uma política do mais puro assistencialismo, melhor dizendo, de esmolas.Pratica, com requintes de “modernidade” a mesma velha política paternalista tão ao gosto dos velhos coronéis da política brasileira, que , coincidentemente ou não, se aliaram ao governo petista.

O paternalismo praticado pelo governo é cômodo , atende às necessidades do marketing governamental , e traz resultados imediatos, o suficiente para a conquista de votos nas próximas eleições. Mas não leva absolutamente à lugar algum em termos de se alcançar a justiça social. Leva, isto sim, à perpetuação da dependência do povo em relação ao Estado, o que tem sido ótimo para os políticos, prontos a renovar suas promessas a cada eleição.

Como disse, justiça social de verdade se faz com educação e com emprego. Educação de qualidade se alcança com maciços investimentos, feitos de forma racional, de tal maneira que promova a reestruturação e a diversificação dos currículos escolares, a implementação de novas tecnologias, a reciclagem dos professores,o aumento salarial dos professores e a renovação completa do ambiente escolar. Emprego se consegue com investimentos privados, liberdade de competição, diminuição dos impostos e da burocracia, desburocratização do Estado.

O governo petista não enxerga isto, ou finge não enxergar..Faz justamente o contrário.Não investe um centavo em ensino básico e desestimula a geração de empregos pela elevada taxa de juros e pela pesadíssima carga tributária.Prefere continuar a praticar as chamadas “políticas compensatórias” em vez de atacar o mal pela raiz. Prefere, assim, manter milhões sob a dependência do guarda-chuva estatal e usar isto como uma justificativa para aumentar de vez o tamanho da máquina governamental. “O Brasil precisa de um estado forte para empreender suas políticas públicas”, disse, não faz muito tempo, o ministro José Dirceu.É isto. Na verdade, os políticos deste país precisam da continuação da miséria como justificativa para manterem uma máquina pública cada vez mais inchada e que faz a alegria destes políticos.
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