...dizia o velho vaqueano Blau Nunes de Simões Lopes Neto. Preocupado com os caminhos das novas gerações de riograndenses, Muñoz Braz faz uma pesquisa em fontes insuspeitas, pois, em suas palavras, "estavam lá", sobre muitas das origens das qualidades atribuídas ao gaúcho histórico.

Opondo-se à corrente atual que prefere posar de imparcial, afetando cosmopolitismo, mas na verdade, como auto promoção ataca cegamente a figura antropológica do gaúcho como um todo, o autor defende a imagem do gaúcho como vital à manutenção de nossa identidade cultural contra a pasteurização globalizante.

Numa seleção de fontes históricas, o autor de forma atraente nos relembra que muitos dos epítetos do gaúcho não são criação de romancistas de maneira pré-elaborada, nos mostra a índole rebelde do gaúcho e entre outras que o processo de atração pela tradição gaúcha de comunidades ou diferentes etnias foi de forma natural.

Este pequeno livro nos ensina a ler nas entrelinhas e interpretar corretamente os antigos viajantes, em sua maioria cientistas, que por aqui passaram.

Como forma de resgate, síntese e estímulo a pesquisas, deve ser lido sem dúvida por políticos, comunicadores, estudantes, universitários, distanciados muitas vezes da cultura gaúcha e que de vez em quando se perguntam ao escutar uma música regional o que aquilo significa, e o que ele próprio significa ao afirmar que é gaúcho.

A Editora Martins Livreiro, sempre disposta em apoiar a nossa cultura orgulha-se em apoiar mais este trabalho.

Contracapa:

"Nesta época de globalização, é incômodo o peso do gaúcho. Na origem, ele é um rebelde. No inicio, os gaúchos arredios à lei, ocasionando um enfrentamento de grupos sociais, as lutas na fronteira agreste e seus reflexos. A idéia da implantação da República. O federalismo. A Revolução Federalista. Quantas vezes a ameaça da fragmentação da União veio do Rio Grande do Sul? ("Aquele corpo estranho ao Brasil, habitado por almas semi-bárbaras egressas do regime pastoril"). Então ele [o gaúcho] precisava ser eliminado..."