No final da década de 1960, início dos anos 70, aconteceu uma verdadeira febre de automóveis movidos à água no Rio de Janeiro. Milhares de veículos foram adaptados para o novo combustível, ao mesmo tempo em que o antigo serviço de trânsito (auxiliado pelos policiais do DOPS (Ordem Política e Social) iam apreendendo os carros e prendendo os motoristas.
O processo de conversão era o mais simples possível: baseado na eletrólise, até uma criança poderia executar o projeto. Bastava separar o hidrogênio do oxigênio. O hidrogênio era queimado no carburador e o oxigênio era expelido pelo cano de descarga. Ou seja: em vez de poluir, o carro ia oxigenando os locais por onde passasse!
Na Rua da Alfândega, Centro do Rio, várias lojas vendiam, a preços módicos, o "kit para motor a água", a coqueluche naqueles tempos.
Um certo "Professor Pardal", residente na Ilha do Governador, desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro num fusquinha adaptado com a maravilha, despertando a atenção de todos. Depois de dar entrevista no "Programa do Chacrinha", foi convidado por uma grande empresa norte-americana (do ramo de petróleo) para ir morar nos Estados Unidos. Nunca mais se soube dele.
Em Belém do Pará um professor da UFPA também montou o kit no seu carro e convidou o ditador militar de plantão, marechal Castello Branco, para dar uma voltinha. Esse passeio teve a cobertura da imprensa local e nacional, incluindo a TV Globo e a revista Manchete, que dedicou uma capa e muitas páginas ao assunto. Logo depois dessa demonstração, o tal professor sumiu e nunca mais ninguém teve notícias dele.
A partir de então, o assunto entrou no esquecimento. Nunca mais ninguém viu ou ouviu falar sobre o tal carro movido a água.
Agora, com o petróleo próximo de sumir da crosta terrestre, pensa-se em combustíveis alternativos: gás, álcool, hidrogênio, motor movido a ar etc. etc. Por que ninguém mais se lembra do motor movido a água?
Obs.: naquele tempo, a melhor água para os motores era a do mar, por ser bastante hidrogenada.