O EIV dura 20 dias, sendo 10 dias reservados para a vivência em si, onde cada estudante fica alojado em um assentamento ou acampamento dos movimentos sociais MAB [Movimento dos atingidos por barragens), MPA [Movimento dos Pequenos Agricultores] ou MST, e 10 dias de preparação e avaliação. Quando não estão na vivência @s estudantes participam de atividades coletivas, oficinas, palestras e debates sobre as questões sociais, dentre elas uma oficina sobre mídia onde foi apresentado o projeto do Centro de Mídia Independente. Esta edição do EIV conta com 65 estagiári@s de todo Brasil, além de hermanos de Argentina, Uruguay e Colombia.
Histórico
A partir dos anos 70, os Estudantes de Agronomia começaram a sentir a necessidade de desenvolver esforços para entender criticamente o modelo de desenvolvimento agropecuário que se estava implantando no país, buscando analisar suas conseqüências e, a partir daí atuar para melhorar a qualidade do ensino de Agronomia, aproximando-o mais da realidade, demandas e necessidades da maioria dos trabalhadores e produtores rurais, situados em condição marginal no contexto daquele modelo.
Ao longo das discussões travadas, foi reconhecendo-se como ponto central a superar, o distanciamento Universidade/Sociedade e, em especial, o caráter, acadêmico, tecnicista e segmentado do conhecimento produzido na Instituição Universitária. Nesse contexto, surgiram, na Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil - FEAB, alguns projetos pioneiros que buscavam aproximar o estudante universitário da realidade econômica, social, política e cultural do campo - os Estágios de Vivência.
A primeira experiência de Estágio de Vivência foi realizada em 1989, Dourados (MS), em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), agregando estudantes de agronomia da região Centro-Oeste do país.
Desde então, os Estágios de Vivência se multiplicaram por todo o país. Assumiram caráter local ou regional, e, em sua maioria, interdisciplinar e sendo construídos não só pela FEAB, mas por várias outras Executivas e Federações de Curso, Diretórios Centrais dos Estudantes e Centros e Diretórios Acadêmicos. Teve sua importância reconhecida em várias universidades, chegando a ser institucionalizado em algumas, como é o caso da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde o Estágio de Vivência constitui uma disciplina dentro do currículo de Agronomia.
O Estágio de Vivência representa hoje um importante processo de reflexão e elaboração crítica dos objetivos para a Universidade, numa valorização do diálogo com a Sociedade, repensando as condições de intervenção sobre a realidade. Representa também privilegiar um segmento social de produção que, na prática, condensa graves problemas sociais e técnicos na área da agricultura, da questão agrária e da luta pela terra.
A aquisição, a construção do conhecimento e a formação dos futuros profissionais nas Universidades se resumem a transposição de técnicas e teorias baseadas em produções científicas de bases teóricas produtivistas e positivistas. Isto aliado a um processo de desenvolvimento agropecuário mecanicista e capitalista voltado aos interesses de uma burguesia agrária e de grandes multinacionais relacionadas ao desenvolvimento do campo.
A partir da vivência da realidade cotidiana dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e buscando entendê-la, os estagiários e estagiárias são chamados a analisar o contexto da história recente e dos Movimentos Sociais Populares, tendo como moldura o processo de modernização da agricultura brasileira.
Durante o processo de construção dos Estágios Interdisciplinares de Vivência muito se discutiu e se acumulou no sentido do caráter deste estágio, construindo assim os princípios do estágio de vivência tendo-se então:
- princípio da não intervenção: a proposta do estágio não é de intervenção técnica, mas sim para que @ estagiári@ vivencie a realidade agrária e camponesa, conhecendo a organização na qual a família camponesa esta inserida, percebendo também as contradições existentes na sociedade, que são de difícil percepção dentro da Universidade.
- princípio da interdisciplinariedade: não apenas no sentido de abranger vários cursos, mas também de ver a comunidade integralizada nos seus diferentes elementos sociais constituintes, partindo da questão da terra (agricultura, organização e produção) a saúde, transporte, educação, cultura, relações de gênero, enfim todos os aspectos relativos á vida em sociedade
- princípio da parceria: o Estágio Interdisciplinar de Vivência de ser em conjunto com os Movimentos Sociais Camponeses, de forma que @s estagiári@s possam conhecer e compreender melhor a organização destes, bem como, vivenciar a mesma. Auxiliando na compreensão de que a transformação da Universidade é um processo que somente ocorrerá concomitantemente à transformação da sociedade.








