'QI dos alunos de medicina é baixo', diz coordenador do curso da UFBA
Curso de medicina tirou nota 2 no Enade e no IDD e será supervisionado pelo MEC.
Para ele, 'alunos se submeteram à vergonha nacional'.
Fernanda Bassette

O coordenador do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA ) atribuiu aos alunos a responsabilidade pela nota baixa que o curso atingiu no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2007. O curso integra a lista de 17 instituições do país que serão supervisionadas pelo Ministério da Educação (MEC). Na opinião do coordenador, o professor Antonio Natalino Manta Dantas, o resultado ruim é por causa do "baixo QI [coeficiente de inteligência] dos alunos".




Em entrevista ao jornal 'Folha de S.Paulo' desta quarta-feira (30), Dantas, que é baiano, disse também que "O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria".



Procurado pelo G1, o coordenador reafirmou as declarações sobre o desempenho dos estudantes. "O QI dos alunos de medicina é baixo sim. Como vou dizer que eles têm QI alto se eles foram mal em uma prova que o resto do Brasil foi bem? Que eu saiba, não houve boicote à prova do Enade. Então eles [os alunos] mesmos se submeteram à vergonha nacional", diz o professor Dantas.



"A nota foi péssima e já é a segunda vez que isso acontece. Na primeira edição do Enade os estudantes também tiveram nota muito ruim", afirma Dantas.



Segundo ele, a faculdade não é a responsável pelos resultados ruins. "Temos um corpo docente muito qualificado com 90% dos professores com mestrado ou doutorado. Além disso, temos boa infra-estrutura", diz.



Para Dantas, os resultados do Enade mostram a inferioridade dos alunos de medicina da UFBA com relação aos estudantes de outras faculdades de medicina do país. "Eles são piores. As pessoas não gostam de admitir que são inferiores. Mas eu acho que admitir que somos piores é uma questão de humildade e só assim poderemos melhorar", avalia o coordenador do curso.



Questionado sobre quais medidas pretende tomar a partir de agora, o coordenador do curso foi enfático: "O que a gente pode fazer para melhorar a capacidade cognitiva das pessoas? Não tenho como mudar a genética. A prova do Enade não foi ruim. Ruins são os nossos alunos", dz o coordenador, que acrescenta que os estudantes do curso de direito da UFBA tiraram nota 5 (nota máxima) no Enade de 2006. "Realmente eu não entendo porque os alunos de medicina não conseguem esse desempenho", diz.





Reitor repudia declarações
O reitor da UFBA, Naomar de Almeida, discorda do coordenador do curso de medicina. "Eu repudio totalmente as declarações, achei chocante o que ele [Dantas] disse. Estou solicitando que o colegiado de professores de posicione com relação às declarações porque um professor com o cargo dele, que é um gestor acadêmico do curso, não pode se posicionar desta maneira", diz.



O estudante Alencastro Vinícius de Oliveira Vilas Boas, 24, aluno do segundo ano do curso de medicina e membro do Diretório Acadêmico de Estudantes (DCE) disse que os alunos vão se reunir às 13h desta quarta-feira (30) para discutir as afirmações do coordenador do curso.



"A posição dele é totalmente preconceituosa, reacionária. No curso de medicina da UFBA não há ninguém despreparado, muito pelo contrário, os alunos estudam muito. Claro que a faculdade tem vários problemas, como todas têm, mas a posição do coordenador é absurda", disse Vilas Boas.



Segundo Vilas Boas, parte dos alunos de medicina boicotou a prova do Enade por não concordar com a metodologia.



Nota 2
O curso de medicina da UFBA obteve nota 2 no conceito Enade e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), em uma escala de 1 a 5. Segundo o MEC, as 17 instituições que serão supervisionadas serão notificada a partir da semana que vem e terão de apresentar um relatório justificando os problemas e propondo mundanças.



"Tudo o que eu sei é pela imprensa. Não sei que medidas vamos tomar para melhorar essa situação porque não sei quais são os nossos problemas", afirma Dantas.



O curso de medicina da UFBA é o mais antigo do país, segundo o MEC, e comemorou 200 anos recentemente.