Após 15 dias de verdadeira agonia passada pelos moradores da Vila Alta Floresta, em assembléia geral, decidiram por realizar uma manifestação para o dia 4 de Novembro às 18hs na rua João Dembinski, situada no bairro Fazendinha. O ato contou com cerca de 100 a 150 moradores representantes das famílias que ainda resistem heroicamente na beira da calçada, a espera de uma resposta da Prefeitura de Curitiba, que desde do despejo violento feito pela Tropa de Choque no dia 23 de outubro, aguardavam em silêncio.

A idéia do ato foi informar a população de Curitiba, fazendo um pedágio com entrega de panfletos nos carros e ônibus, sobre a real situação que vivem cerca de 300 famílias encontradas sobre determinação do descaso e esquecimento à beira da calçada. A precariedade e estresse causados pelos dias que se seguem sem nenhum apontamento à resolução desse caso, juntamente com a pressão exercida pela Guarda Municipal que aterroriza durante as madrugadas todas as famílias e as duas idas ao local de um oficial de justiça, tornam ainda mais dura a resistência no local.



Na manhã do dia 4 de novembro o morador Celso Edit, em busca de água para a cozinha comunitária construída na ocupação da calçada, discutiu com a milícia armada que faz a segurança do terreno desocupado, e essa prometeu que se vingaria do morador e que ??terminaria o serviço mais tarde??. Na noite do mesmo dia, um grupo de seis homens encapuzados abriram fogo contra a cozinha comunitária acertando 15 tiros no peito de Celso Eidt, 38 anos, pai de uma garota de 9 anos de idade. Segundo testemunhas que estavam no local, os homens fugiram em um golf prata. A polícia que estava a menos de 50 metro do local do crime, afirmou não ter ouvido os desparos. Em menos de 15 minutos isolaram a cozinha e chamaram o IML.

O caso ainda não está recebendo nenhuma atenção das autoridades locais e provavelmente, por se tratar de um homicídio em área de ocupação de sem tetos, cairá no esquecimento mais uma vez. Além disso, para denegrir os sem tentos, ha boatos feitos pela mídia corporativa de que Celso tinha passagem pela polícia, todavia, além de não ser provada tal afirmação, isso não justifica a morte.